As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciaram um acordo para a liberação dos sigilos fiscal, bancário e telefônico dos candidatos e de seus familiares. A decisão foi comunicada nesta quinta-feira, 22, após uma reunião no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O coordenador da campanha petista, Camilo Santana, afirmou que Lula atendeu aos requisitos propostos por Flávio. Uma petição foi apresentada ao ministro André Mendonça, solicitando que a abertura dos dados ocorra de forma total, imediata e simultânea para ambos os candidatos.
O documento, assinado por Lula e pela advogada de Flávio, Maria Claudia Bucchianeri, afirma: “Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Nantes Bolsonaro, candidatos à Presidência da República, já qualificados nos autos, vêm, conjuntamente, informar que aceitaram integralmente os termos recíprocos do desafio objeto destes autos e autorizam a abertura total dos respectivos sigilos”.
O pedido é para que Mendonça decida sobre a questão ainda nesta quinta, garantindo que as informações sejam divulgadas até as 22h, antes do debate da TV Globo na próxima sexta-feira, 23.
Campanhas discordam sobre sigilo de empresa de Willer Tomaz
O presidente do PT, Edinho Silva, revelou que houve discordância entre as campanhas em relação à quebra de sigilo da Alcazar Holding, ligada ao advogado Willer Tomaz. A Polícia Federal mencionou Flávio como “usuário master” de uma conta associada à empresa, que é alvo de suspeitas de lavagem de dinheiro.
Edinho destacou que a campanha de Lula insistiu na inclusão da empresa no acordo de transparência. “Se o Flávio descumprir as medidas, vocês vão acompanhar pelo site, vocês vão ver quem defende a transparência ou não”, alertou.
O desafio para a abertura dos sigilos foi proposto por Lula durante um debate no último domingo, 18. Ele condicionou a liberação dos dados a uma ação semelhante por parte de Flávio.
Advogada de Flávio condiciona apresentação de dados
A advogada Maria Claudia Bucchianeri afirmou que a campanha de Flávio só apresentará os dados após análise das informações fornecidas pela campanha de Lula. Essa postura gera incertezas sobre a viabilidade de prestação de contas antes da eleição no domingo, 25.
Bucchianeri enfatizou que a campanha de Flávio exigiu que os dados de Lula não se limitassem a oito anos, mas que abrangessem todo o período desde 2003, quando Lula assumiu pela primeira vez a Presidência.
“Queremos o telefone que era usado, o telefone do Marcola”, afirmou, referindo-se ao ex-chefe de gabinete de Lula. A advogada garantiu que a campanha de Flávio apresentará tudo o que foi solicitado, mas somente após a verificação dos dados de Lula.
Deltan Dallagnol será responsável pela auditoria
Maria Claudia Bucchianeri também mencionou que Deltan Dallagnol, ex-procurador da Lava Jato, foi designado para auditar a documentação da quebra de sigilos entregue por Lula ao TSE. Dallagnol criticou Lula, afirmando que ele “é especialista em ocultar patrimônio” e que a análise dos documentos será fundamental para resgatar a história.
“Da última vez que eu analisei os sigilos de Lula, ele foi parar na cadeia”, declarou Dallagnol, referindo-se a investigações anteriores envolvendo o ex-presidente.
Fonte: folhavitoria.com.br