A corrida pelas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos registra uma adesão expressiva antes mesmo do dia oficial de votação, marcado para terça-feira (3). Segundo registros da plataforma Election Lab, vinculada à Universidade da Flórida, mais de 53,3 milhões de eleitores já participaram do processo antecipadamente até a manhã deste domingo (1º), um volume relevante em um país onde o comparecimento às urnas é facultativo.
Principais temas que mobilizam a ida às urnas
O comportamento dos votantes tem sido impulsionado por pautas econômicas e institucionais que dominaram o debate público recente. O aumento do custo de vida, a inflação, as políticas de segurança de fronteira por meio do ICE, as pautas de costumes e a proteção da democracia figuram no topo das preocupações.
A percepção sobre os rumos institucionais tem pesado diretamente na decisão popular. Um eleitor de Utah afirmou que levará em conta a corrupção, o custo de vida e a democracia ao escolher os candidatos, além de criticar a atual gestão federal: “Não me parece que esta administração se preocupa com a Constituição”, disse.
Em outra manifestação, um votante identificado como Yago declarou suporte aos conservadores para conter ideologias de esquerda. “A razão é que eu não quero saber de socialismo no meu país. Socialismo não faz nada além de destruir tudo”, declarou.
O que está em disputa no Congresso e nos estados
O pleito atual definirá o equilíbrio de forças em Washington. Estão em jogo todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, cujos mandatos são de dois anos, além de 35 das 100 vagas do Senado, com mandatos de seis anos. Adicionalmente, 36 dos 50 estados escolhem novos governadores.
Atualmente, o Partido Republicano comanda o Congresso com uma margem de 53 a 47 senadores e uma vantagem estreita entre os deputados. A preservação dessa hegemonia é vital para a sustentação política do presidente Donald Trump. Uma vitória da oposição democrata em qualquer uma das Casas representaria o poder de barrar pautas do Executivo e instalar comissões de investigação.
Buscando fortalecer a base aliada, Trump intensificou a agenda com atos de campanha em Iowa e no Kansas. O presidente norte-americano destacou o alcance de suas viagens: “Fiz muitas ligações e farei viagens bem cedo. Primeiro, Iowa e, depois, Kansas. Nós vamos mandar muito bem. Acho que vamos surpreender muita gente. Sabe por quê? Por causa dos comícios. Nossos comícios são quentes, com centenas de milhares de pessoas. E eles espalham o conteúdo para muitas pessoas.”
Disputas acirradas e questionamentos na Justiça
O período eleitoral também se desenrola sob forte judicialização. A gestão Trump cobrou a abertura de um inquérito criminal referente à eleição para o Senado no Alasca. Promotores apuram se auxiliares da democrata Mary Peltola teriam estimulado a candidatura de Daniel J. Sullivan Jr., um professor aposentado com nome homônimo ao do senador republicano Dan S. Sullivan, que disputa a reeleição. A vaga é estratégica na batalha pela maioria no Senado.
Em paralelo, o governo federal sinalizou que pretende acionar a Suprema Corte para contestar a validade de milhares de votos enviados pelo correio no estado da Califórnia.
No Michigan, o cenário entre Abdul El-Sayed (democrata) e Mike Rogers (re republicano) reflete divergências internas no Partido Democrata. A campanha de El-Sayed buscou evitar a presença pública da deputada federal Haley Stevens nos comícios finais para manter o foco temático. Apesar de ter manifestado voto a El-Sayed, Stevens exigiu uma retratação do candidato sobre posições anteriores relativas a Israel e o repúdio a um anúncio externo que responsabilizou o país pela alta nos preços dos alimentos.
Com o encerramento da votação presencial na terça-feira, o resultado final delineará o nível de governabilidade da Casa Branca e os rumos políticos dos Estados Unidos para os próximos dois anos.
Fonte: Folha Vitória