A corrida pela presidência do Senado atravessa um momento crítico devido a uma fragmentação interna no campo bolsonarista. Embora Rogério Marinho (PL-RN) tenha oficializado sua candidatura com o respaldo de sua bancada, a resistência de aliados coloca em xeque a capacidade da oposição de apresentar um nome competitivo para enfrentar Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
O impacto das divergências na direita
O cenário atual é marcado por uma desunião que vai além das questões programáticas. Segundo o colunista Robson Bonin, o lançamento da candidatura de Marinho ocorreu antes mesmo de um entendimento consolidado dentro do PL sobre sua viabilidade como representante único da oposição. Além de impasses políticos, fatores subjetivos e comportamentais têm dificultado a adesão de outros parlamentares.
“Tem uma divisão silenciosa no bolsonarismo”, afirmou Bonin. O colunista aponta que o estilo de atuação do senador potiguar é um ponto de atrito frequente entre seus pares: “Muita gente não gosta do Rogério Marinho, do jeito que ele se comporta, da forma como ele trata as questões políticas”, disse.
A estratégia de Davi Alcolumbre
A falta de coesão da direita acaba beneficiando Davi Alcolumbre, que utiliza sua experiência e a estrutura do Senado para consolidar apoios. A disputa, que ocorre por meio de voto secreto, envolve uma complexa rede de interesses que vai muito além das ideologias partidárias.
“A máquina está trabalhando”, afirmou Bonin, ao descrever a influência das estruturas políticas nas negociações. O colunista enfatiza que a distribuição de cargos e a liberação de recursos são elementos centrais na costura de alianças. “Não é só pela amizade que um senador vota”, disse o colunista. Para Bonin, o risco para a oposição é claro: “Nessa briga toda, corre o risco de o Alcolumbre, com a máquina e com a habilidade que ele tem de negociar, tirar alguma vantagem disso”.
Mudança de foco na pauta oposicionista
O racha interno também causou uma alteração nas prioridades da oposição. Anteriormente, a crítica central a Alcolumbre era sua postura em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), com parlamentares da direita alegando que ele trava pedidos de impeachment contra ministros da Corte.
“Com ele no Senado, nada se investiga em relação a ministros do STF, porque a principal prerrogativa do Senado não é cumprida”, afirmou Bonin. Contudo, essa agenda foi colocada em segundo plano pela prioridade da disputa interna: “Está em curso essa disputa, essa guerra pessoal de poder, em que as alas dentro do bolsonarismo e da direita estão tentando demarcar território para ver quem vai ser mesmo candidato, quem vai ter condições de disputar”, afirmou.
Por fim, o sucesso da oposição depende de uma mudança de postura. Para Bonin, “vai depender muito da forma como a direita vai trabalhar, se vai conseguir buscar uma articulação de consenso”. Sem isso, a força parlamentar do grupo pode ser desperdiçada na eleição para o comando da Casa.
Fonte: veja.abril.com.br/politica