O proprietário de um imóvel em Santos, no litoral paulista, foi multado em R$ 8,6 mil pela prefeitura após a morte do pedreiro Bruno Reis dos Santos, de 27 anos. O acidente ocorreu em setembro, justamente no primeiro dia de trabalho da vítima, que passou mal ao entrar em uma caixa-d’água subterrânea durante uma reforma no bairro Vila Mathias.
Falhas de segurança e novas vistorias A punição financeira foi aplicada em outubro devido a graves irregularidades nas condições de segurança voltadas a trabalhadores e terceiros na construção. Além da penalidade ao dono do local, a administração municipal emitiu uma intimação para a regularização do canteiro. Para coordenar os reparos necessários, a empresa responsável pela execução da obra, a De.sign, contratou dois engenheiros de segurança.
Novas fiscalizações foram realizadas pela prefeitura na edificação após a autuação, e nenhum outro problema foi encontrado até a última atualização do caso. Procurada, a De.sign declarou que respondeu a todas as intimações enviadas por órgãos municipais e federais, fornecendo a documentação exigida.
Investigação e depoimento da família Enquanto isso, a Polícia Civil aguarda a conclusão de laudos periciais para determinar qual substância química foi inalada por Bruno no interior do reservatório. Outros dois funcionários que tentaram prestar socorro também desmaiaram, mas acabaram salvos por equipes do Serviço de Atenção Móvel de Urgência (Samu).
Emocionada, a esposa do trabalhador, Nádia Cardoso da Silva, relatou em entrevista à TV Tribuna que o marido estava radiante com a oportunidade. “Ele saiu tão feliz para trabalhar, era o primeiro dia dele. Primeiro dia de uniforme e tudo, e a gente se depara com isso”, disse a mulher.
Contradições sobre a entrada na estrutura O caso é marcado por divergências nos depoimentos prestados à polícia. O mestre de obras alegou que a dupla estava escalada apenas para limpar uma laje e que qualquer intervenção nas caixas subterrâneas exigiria treinamento prévio do técnico de segurança. Segundo essa versão, os operários teriam acessado uma das estruturas por conta própria, sem autorização.
Por outro lado, o sobrevivente apresentou um relato oposto, afirmando que a limpeza das caixas fazia parte da ordem dada pelo mestre de obras. Ele destacou que nenhum equipamento de proteção respiratória ou instrução de segurança foi fornecido. Como a tampa de madeira estava lacrada, a estrutura precisou ser quebrada para a entrada de Bruno, que desmaiou em seguida. Ao tentar o resgate, o colega também perdeu os sentidos.
Ausência de formalização O boletim de ocorrência também registrou o depoimento do técnico de segurança, que explicou que as caixas estavam lacradas para prevenir quedas e o acúmulo de gases. Ele reforçou que qualquer atividade no local exigia aviso prévio e apontou que os operários ainda não tinham vínculo formal. A engenheira documental confirmou que a papelada de Bruno só foi entregue após a tragédia e que o colega dele não estava nos registros. O mestre de obras argumentou que o segundo operário havia sido levado por Bruno apenas para uma diária naquele dia.
Fonte: G1 Geral