A busca por uma saúde otimizada tem impulsionado novas tendências nas redes sociais, onde o consumo de nutrientes específicos em grandes quantidades, conhecido como “maxxing”, ganha destaque. Após a popularidade do “proteinmaxxing”, que enfatiza a ingestão abundante de proteínas, a fibra alimentar emerge como a nova obsessão. Influenciadores digitais promovem a ideia de que maximizar o consumo desses macronutrientes é a chave para uma vitalidade aprimorada e uma transformação radical da saúde intestinal.
Embora nutricionistas e especialistas reconheçam os benefícios fundamentais da proteína e da fibra para o organismo, há um consenso crescente sobre os riscos associados aos exageros e à desinformação disseminada online. A popularidade dessas tendências reflete uma busca legítima por bem-estar, mas também levanta preocupações sobre a adoção de dietas extremas sem orientação profissional, que podem ser contraproducentes para a saúde.
A Ascensão do “Maxxing” e a Busca por Nutrientes
O conceito de “proteinmaxxing” baseia-se na premissa de que “quanto mais, melhor” para este macronutriente, essencial para funções corporais como reparação de tecidos e fortalecimento do sistema imunológico. Alimentos como carnes, laticínios e castanhas são frequentemente citados como fontes ricas.
Recentemente, a fibra alimentar se tornou o foco principal nas redes sociais. Defensores dessa tendência afirmam que consumir o máximo possível de fibra ajuda a reduzir a fome e a promover um intestino mais regular, impulsionando a popularidade de pratos ricos em sementes de chia e aveia.
A indústria alimentícia tem respondido a essa demanda, com grandes empresas como PepsiCo e Nestlé, além de marcas emergentes como Olipop, destacando o teor de fibra em seus produtos. O presidente-executivo da PepsiCo, Ramón Laguarta, chegou a afirmar no fim do ano passado que a fibra seria a “próxima proteína”, evidenciando o reconhecimento do mercado sobre essa crescente preferência do consumidor.
O Apelo da Fibra e da Proteína: O Que Dizem os Especialistas
Pesquisas indicam que a busca por mais proteína é uma realidade para cerca de metade dos consumidores nos Estados Unidos, com a Geração Z e os millennials liderando essa tendência também na Europa e na Ásia. Similarmente, cerca de 40% da Geração Z e 45% dos millennials relatam esforços para melhorar a saúde intestinal, impulsionando o interesse pela fibra.
Nutricionistas como Andrea Glenn, professora adjunta de nutrição da Universidade de Nova York, veem o movimento em torno da fibra como uma “tendência de bem-estar bastante moderada” em comparação com outras. Samanta Snashall, nutricionista registrada da Universidade Estadual de Ohio, observa que a proteína foi a “queridinha” por anos, enquanto a fibra esteve “bastante subvalorizada”.
Alimentos ricos em fibra, como feijão, frutas, verduras, castanhas, aveia e quinoa, são associados a menores taxas de certos tipos de câncer e podem auxiliar no controle do colesterol e do açúcar no sangue. A recomendação geral de Glenn é incluir grãos integrais ou frutas no café da manhã e preencher metade do prato com legumes e verduras nas refeições principais.
Os Perigos da Desinformação e o Excesso de Confiança
Apesar dos benefícios, especialistas como Glenn, Snashall e Arch Mainous, professor da Universidade da Flórida que pesquisa o uso das redes sociais na comunicação em saúde, alertam que “mais nem sempre é melhor”, especialmente em relação à proteína. Mainous expressa preocupação com a confiança excessiva das pessoas em conselhos generalizados de influenciadores, muitos dos quais não possuem formação científica adequada e podem ter agendas comerciais.
Essa dinâmica contribui para uma “falta de confiança nos especialistas em saúde”, alimentando uma mentalidade de “fazer a própria pesquisa” que, por vezes, leva à disseminação de informações imprecisas. A falta de qualificação e os potenciais acordos de marcas com influenciadores são fatores que comprometem a credibilidade das orientações online.
Orientações para um Consumo Equilibrado e Saudável
Para um consumo seguro e eficaz de nutrientes, a primeira recomendação de Mainous é conversar com um médico ou nutricionista. A Associação Americana do Coração sugere, como orientação geral para a proteína, uma combinação diária de alimentos como um copo de leite, uma xícara de iogurte, uma xícara de lentilhas cozidas e uma porção de carne magra ou peixe cozido do tamanho de um baralho de cartas, em média.
No caso da fibra, Glenn indica um objetivo diário entre 25 e 38 gramas, dependendo da idade e do sexo. No entanto, Snashall adverte que, para quem não consome muita fibra, o “maxxing” não é o caminho. Mudanças abruptas nos hábitos alimentares podem causar uma “reação mais forte” no sistema gastrointestinal. Além disso, Glenn enfatiza que suplementos e nutrientes em pó não substituem os alimentos integrais e de verdade, reforçando que não existe uma solução definitiva que sirva para todos os casos.
Fonte: metropoles.com