A demanda de Trump, expressa publicamente, sublinha a importância vital do estreito para o fluxo global de petróleo e gás natural liquefeito, um ponto de discórdia central que pode definir o tom das próximas conversas diplomáticas. A situação econômica e humanitária na região, marcada por um alto número de vítimas e impactos na produção de energia, adiciona urgência aos esforços para desescalar o conflito.
Na quinta-feira, Donald Trump utilizou a plataforma Truth Social para criticar a postura iraniana em relação ao Estreito de Ormuz. “O Irã está fazendo um trabalho muito ruim, desonroso diriam alguns, de permitir que o petróleo passe pelo Estreito de Ormuz. Esse não é o acordo que firmamos!”, declarou Trump, sinalizando que a passagem do petróleo ocorreria “com ou sem a ajuda do Irã”.
O Estreito de Ormuz é uma rota marítima de importância global, responsável por aproximadamente um quinto do petróleo e gás natural liquefeito comercializados mundialmente antes do início do conflito. Apesar do anúncio de uma trégua de duas semanas, o tráfego pelo estreito demonstrou poucos sinais de retomada significativa. No mercado, o petróleo Brent registrava alta de cerca de 1,9%, negociado a quase US$ 98 o barril em Londres nesta sexta-feira, enquanto as bolsas asiáticas apresentaram ganhos, refletindo um otimismo cauteloso dos investidores antes das negociações do fim de semana.
Em resposta, o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, filho do líder falecido no primeiro dia da guerra, afirmou em uma publicação no Telegram que o Irã “certamente levará a gestão do Estreito de Ormuz a um novo estágio”. A declaração não especificou se o Irã pretende manter controle exclusivo sobre a passagem, uma posição já rejeitada pelos Estados Unidos. Khamenei também reiterou a exigência iraniana por reparações de guerra, uma condição considerada inviável pelos negociadores americanos.
As negociações de paz, marcadas para este sábado (11) em Islamabade, representam um esforço crucial para encontrar uma solução diplomática para a crise. A delegação americana será liderada pelo vice-presidente JD Vance, acompanhado pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner. Apesar do cenário complexo e das declarações públicas de ambos os lados, Trump expressou otimismo em relação a um possível acordo em entrevista à NBC, descrevendo os líderes iranianos como “muito mais razoáveis” do que suas posturas públicas sugerem.
A questão das reparações de guerra exigidas pelo Irã permanece um dos principais obstáculos para o avanço das conversas. A intransigência em torno do controle do Estreito de Ormuz e as exigências financeiras adicionam camadas de complexidade a um processo já delicado, onde cada parte busca garantir seus interesses estratégicos e econômicos.
O Líbano continua sendo um ponto de tensão significativo antes das negociações. Na quarta-feira, Trump revelou à NBC ter pedido ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu para “baixar o tom” nos ataques ao Líbano, após uma conversa telefônica entre os dois líderes. Contudo, Israel prosseguiu com ataques a cidades no sul do país nesta sexta-feira.
Em retaliação, o Hezbollah lançou drones e salvas de foguetes contra o território israelense, resultando em feridos em cidades do centro e sul de Israel, conforme relatos de socorristas. O chefe do estado-maior do IDF, Eyal Zamir, enfatizou a postura militar de Israel: “O IDF está em estado de guerra; não estamos em cessar-fogo na frente norte. Continuamos a operar nesta frente. Este é nosso foco operacional primário.”
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, classificou os ataques israelenses no Líbano como uma “clara violação” do cessar-fogo, afirmando que tais ações tornariam as conversas de paz “sem sentido”. Em um movimento diplomático, Netanyahu anunciou a disposição de iniciar negociações diretas com o Líbano para discutir o desarmamento do Hezbollah, com os EUA confirmando que sediarão uma reunião entre Israel e Líbano na próxima semana. No entanto, o governo libanês declarou que não negociará “sob fogo”, indicando a dificuldade de avançar sem uma desescalada real.
O conflito no Oriente Médio já resultou em um número alarmante de mortes, superando 5.500 vítimas, de acordo com dados de governos e organizações não governamentais. A Human Rights Activists News Agency, com sede nos EUA, estima mais de 3.600 mortos no Irã, enquanto o governo libanês reporta mais de 1.700 vítimas em seu território. Israel afirma ter eliminado mais de 1.400 militantes do Hezbollah, incluindo 200 apenas na quarta-feira. Além disso, cerca de três dezenas de pessoas morreram em Israel e um número similar nos países do Golfo Árabe, e treze militares americanos foram mortos, segundo o Comando Central dos EUA. Para mais informações sobre o impacto de conflitos internacionais, consulte fontes como Nações Unidas.
O impacto econômico também é severo. A Arábia Saudita confirmou uma perda de mais de 500 mil barris por dia em sua capacidade de produção de petróleo devido a ataques iranianos à infraestrutura do país. Ataques a uma estação de bombeamento do oleoduto leste-oeste reduziram o fluxo diário em 700 mil barris, conforme divulgado pela agência estatal Saudi Press Agency, evidenciando as ramificações econômicas diretas da instabilidade regional.
Fonte: infomoney.com.br
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