Brendon Alexander Luz da Silva, conhecido como Tota, o terceiro acusado de envolvimento no brutal assassinato do jovem congolês Moïse Kabagambe, será submetido a júri popular nesta quarta-feira (15). O julgamento está agendado para as 11h, no I Tribunal do Júri da Capital, localizado no Centro do Rio de Janeiro, marcando um novo capítulo na busca por justiça para a vítima.
O crime, que chocou o país e gerou ampla repercussão internacional, ocorreu em 24 de janeiro de 2022, em um quiosque na Praia da Barra da Tijuca, na zona oeste da cidade. A morte violenta de Moïse, um refugiado que buscava uma vida digna no Brasil, levantou importantes debates sobre xenofobia, violência e a vulnerabilidade de imigrantes e refugiados no país.
O julgamento de Brendon Alexander Luz da Silva no caso Moïse Kabagambe
Brendon Alexander Luz da Silva é o último dos três indivíduos denunciados como executores a ser julgado pelo crime que tirou a vida de Moïse Kabagambe. A expectativa em torno deste processo é alta, dada a comoção pública e a gravidade das acusações que pesam sobre o réu.
A participação de Brendon nas agressões foi detalhada na denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Imagens de câmeras de segurança do quiosque Tropicália foram peças-chave para a identificação e incriminação dos envolvidos, fornecendo um registro visual dos eventos que culminaram na morte do jovem congolês.
A brutalidade do crime e as evidências que incriminam os agressores
As gravações de segurança revelam que Brendon participou ativamente das agressões contra Moïse. Um dos momentos de maior impacto e frieza, conforme descrito pelo MPRJ, foi quando ele posou para uma foto ao lado da vítima, que já estava imobilizada no chão, amarrada e aparentemente desacordada.
Nessa cena chocante, Brendon fez um gesto com as mãos conhecido como “hang loose”, associado a uma saudação descontraída. Este ato, segundo o Ministério Público, evidenciou a extrema frieza e a desumanidade dos envolvidos no assassinato, intensificando a indignação pública.
As imagens também registraram que os três acusados espancaram Moïse por cerca de 13 minutos, utilizando um taco de beisebol, além de desferir socos, chutes e tapas. Mesmo sem apresentar qualquer resistência, a vítima foi derrubada, contida e amarrada, ficando completamente indefesa diante dos ataques brutais.
Condenações anteriores e a persistente busca por justiça
Este julgamento de Brendon Alexander Luz da Silva segue as condenações de Fábio Pirineus da Silva e Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca, os outros dois réus no caso. Em março de 2025, ambos foram sentenciados a penas que, somadas, alcançam 44 anos de prisão, a serem cumpridas em regime fechado.
No julgamento anterior, o Conselho de Sentença acolheu integralmente as teses apresentadas pelo MPRJ. Foi reconhecido que o crime foi motivado por um motivo banal, executado com extrema crueldade e mediante um recurso que impossibilitou qualquer defesa por parte da vítima, agravantes que resultaram nas pesadas sentenças.
A família de Moïse Kabagambe e a sociedade civil organizada têm acompanhado de perto cada etapa do processo, clamando por justiça e por um basta à violência e à impunidade. O caso se tornou um símbolo da luta por direitos humanos e contra a xenofobia no Brasil, mobilizando diversas manifestações e atos de solidariedade em memória de Moïse. Ato reúne parentes e marca um ano da morte do congolês Moïse Kabagambe.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br