Intolerância à lactose na vida adulta: causas e diagnóstico segundo especialistas

A intolerância à lactose é frequentemente associada a uma condição genética que se manifesta desde a infância. No entanto, especialistas alertam que essa condição pode surgir na vida adulta, mesmo em indivíduos que nunca apresentaram problemas ao consumir leite. A endocrinologista Ana Luiza de Rezende Lelot, do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo, explica que a hipolactasia primária é uma forma comum de intolerância, caracterizada pela diminuição natural da produção da enzima lactase ao longo dos anos.

Formas de intolerância à lactose

Além da hipolactasia primária, existe a intolerância adquirida, que tende a se manifestar de forma abrupta. Segundo a gastroenterologista Karla Audit Sula, do Hospital Santa Paula, essa forma geralmente está relacionada a eventos que afetam o intestino. Os pacientes notam uma mudança clara em sua capacidade de digerir lactose após infecções intestinais, uso prolongado de antibióticos ou doenças inflamatórias intestinais.

Gatilhos e sintomas

Os principais gatilhos para a intolerância adquirida incluem:

  • Infecções intestinais
  • Uso prolongado de antibióticos
  • Doença celíaca
  • Doenças inflamatórias intestinais

Esses eventos podem danificar a mucosa do intestino delgado, onde a lactase é produzida. Em alguns casos, a intolerância pode ser temporária e reverter com a recuperação do intestino, enquanto em outros, torna-se uma condição permanente.

Diferenciação entre intolerância e alergia

É importante não confundir a intolerância à lactose com a alergia à proteína do leite. A intolerância é um problema digestivo, onde o organismo não consegue quebrar o açúcar do leite, resultando em sintomas como gases e diarreia, que aparecem entre 30 minutos e duas horas após a ingestão. Por outro lado, a alergia envolve o sistema imunológico e pode causar reações mais graves, como urticária e dificuldades respiratórias.

Diagnóstico e manejo da condição

O diagnóstico da intolerância à lactose pode ser confirmado por meio de exames, como o teste do hidrogênio no ar expirado, que é considerado preciso e prático. Muitas pessoas, ao perceberem os sintomas, eliminam completamente a lactose da dieta, mas essa estratégia nem sempre é a mais eficaz. A gastroenterologista Karla Audit Sula recomenda uma abordagem individualizada, onde o consumo de lactose é ajustado ao limite de tolerância de cada pessoa.

O organismo pode se adaptar parcialmente à lactose, especialmente quando consumida em pequenas quantidades e de forma gradual, permitindo uma melhor tolerância ao longo do tempo.

Fonte: metropoles.com

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