Na praça, a imponente Catedral Metropolitana apresenta uma inclinação notável, enquanto outra igreja próxima pende em direção oposta. O Palácio Nacional, também nas proximidades, está claramente desalinhado. Embora o afundamento da cidade seja um problema conhecido há mais de um século, os dados mais recentes trazem uma nova perspectiva.
O afundamento está sendo monitorado em tempo real por meio do satélite Nisar, um dos mais avançados sistemas de radar lançados ao espaço. Este satélite é capaz de detectar pequenas mudanças na superfície da Terra, mesmo em condições climáticas adversas, como vegetação densa ou céu nublado.
“O Nisar levou a outro nível as observações da Terra”, afirmou o cientista Marin Govorcin, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa. “Ele consegue ver qualquer mudança, grande ou pequena, que acontece na Terra de uma semana para outra. Nenhuma outra missão imagética consegue fazer isso.”
Embora o afundamento da Cidade do México já tenha sido registrado anteriormente, a missão Nisar fornece dados mais precisos sobre a velocidade do fenômeno e as variações de afundamento conforme o tipo de terreno. O sistema também conseguiu mapear áreas ao redor da cidade que eram difíceis de estudar devido à complexidade do solo.
Dados recentes indicam que algumas áreas, como a do aeroporto, estão afundando a uma velocidade superior a dois centímetros por mês, uma das mais altas do mundo. Um exemplo notável desse afundamento é a estátua “Anjo da Independência”, na Avenida Paseo de la Reforma, que já teve 14 degraus adicionados à sua base devido ao afundamento progressivo.
O afundamento está afetando toda a infraestrutura urbana, incluindo ruas, tubulações de água e reservas hídricas. O engenheiro Efraín Ovando Shelley, da Universidade Nacional do México, destacou que o problema é resultado da exploração desordenada de água do subsolo, uma vez que a cidade foi construída sobre o leito de um antigo rio, tornando o solo instável.
Com o aumento da extração de água, o aquífero subterrâneo está encolhendo, criando um ciclo vicioso: o afundamento das estruturas provoca rachaduras nas tubulações, resultando em perdas significativas de água. Estima-se que cerca de 40% da água bombeada é desperdiçada devido a vazamentos, agravando ainda mais a situação.
O aquecimento global também contribui para a redução do regime de chuvas, complicando ainda mais a situação hídrica da cidade. “Para deter o afundamento precisaríamos suspender a extração de água”, explicou Shelley. “Mas se pararmos a extração de água, que água vamos beber? A piada recorrente é que, se não pudermos beber água, bem, vamos tomar tequila.”
Fonte: infomoney.com.br
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