Relatos indicam que a operação policial ocorreu por volta das 4h15 e envolveu o uso de bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo, deixando alguns feridos. Mais de 30 policiais participaram da ação, utilizando escudos e cassetetes para desocupar o prédio, além de formarem um “corredor polonês” que agrediu os detidos.
A PM ainda não se manifestou oficialmente sobre a operação, e a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo não respondeu aos pedidos de informação. O DCE afirmou que a ação policial foi uma “violenta expulsão” dos estudantes que lutavam por melhores condições na universidade.
Em um comunicado, o DCE criticou a responsabilidade do reitor Aluísio Segurado e de seu chefe de gabinete, Edmilson Dias de Freitas, por ignorarem as reivindicações dos estudantes. O movimento estudantil, que conta com a adesão de 104 cursos, se organizou em turnos para manter a ocupação e realizar atividades culturais.
A greve foi aprovada em 14 de abril, inicialmente em apoio a uma mobilização de servidores que também protestavam contra uma gratificação exclusiva para professores. Enquanto os servidores conseguiram avanços e encerraram sua paralisação, os estudantes decidiram manter a greve focando em suas próprias demandas.
A principal reivindicação é o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), que atualmente oferece benefícios entre R$ 335 e R$ 885. A proposta da USP para o reajuste, que se baseia no índice IPC-FIPE, foi considerada insuficiente pelos estudantes, que exigem um aumento para R$ 1.804, equivalente ao salário mínimo paulista.
Os estudantes também criticam a gestão do restaurante universitário, a moradia estudantil e a situação do Hospital Universitário, que, segundo os manifestantes, perdeu cerca de 30% de seu quadro de funcionários na última década. A reitoria havia realizado três rodadas de negociação, mas decidiu encerrar as conversas após a rejeição da proposta apresentada.
A repressão à ocupação gerou indignação entre os estudantes e a comunidade universitária. O DCE enfatizou que a ação da polícia não apenas feriu fisicamente os estudantes, mas também simbolizou a violência contra aqueles que buscam melhorias nas condições de ensino e permanência na universidade.
Os estudantes continuam mobilizados e afirmam que a luta por melhores condições não terminará com a desocupação. Eles pretendem manter a pressão sobre a reitoria para que suas demandas sejam atendidas.
Fonte: infomoney.com.br
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