Nos anos 90, um grupo de artistas de Pernambuco lançou o manifesto Caranguejos com Cérebro, dando início ao manguebeat, um movimento que uniu maracatu, reggae, hip hop e tecnologia. Nesse contexto, professores da Universidade Federal de Pernambuco fundaram um centro de inovação tecnológica, o que levou ao surgimento do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR) em 1996. Essa organização se tornou a semente do Porto Digital, um dos principais polos de inovação do Brasil.
Silvio Meira, engenheiro e escritor, foi um dos fundadores do CESAR e, após 30 anos, retorna ao Conselho de Administração da instituição. Em entrevista à Agência Brasil, ele discorre sobre os impactos da inteligência artificial (IA) e a necessidade de adaptação da sociedade a essa nova realidade. Meira destaca que a IA representa um desafio significativo, pois altera a capacidade cognitiva e repetitiva dos seres humanos.
O impacto da inteligência artificial na sociedade
Segundo Meira, a IA imita a inteligência informacional humana, realizando tarefas cognitivas de forma mais eficiente e a um custo menor. Ele exemplifica a situação de um clínico geral que, ao solicitar exames e prescrever medicamentos sem interação, se assemelha a um sistema automatizado. A IA já é capaz de gerar até 95% do código de programação, algo que antes exigia um trabalho intenso dos humanos.
O papel do ser humano na era da IA
Meira enfatiza que, embora a IA possa realizar tarefas repetitivas, o papel dos humanos se torna mais complexo. A responsabilidade agora é definir o que deve ser automatizado, como validar o trabalho da IA e garantir a funcionalidade e segurança dos sistemas. A confiança na IA é questionável, uma vez que ela opera com base em probabilidades e pode cometer erros.
Adaptação e desaprendizagem
O desafio, segundo Meira, é desaprender práticas antigas e adaptar-se a novas formas de trabalho. Ele compara a situação atual com a transição da indústria de carroças para automóveis no início do século XX. A produtividade aumentou significativamente, e as empresas que não se adaptarem à nova realidade da IA correm o risco de não sobreviver no mercado.
O futuro do trabalho com a IA
Meira acredita que a IA não necessariamente substituirá os humanos, mas pode aumentar a capacidade de resolver problemas complexos. Ele menciona que, nas empresas do Porto Digital, é proibido trabalhar sem um agente inteligente, destacando a necessidade de integração entre humanos e máquinas para otimizar processos e melhorar a eficiência.
A discussão sobre o impacto da IA no mercado de trabalho é contínua e essencial, e Meira afirma que é fundamental que a sociedade esteja atenta a essas mudanças.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br