Essa afirmação entra em contradição com informações apresentadas pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF), bem como com o contrato de compra e venda assinado por seu irmão. O documento, datado de agosto de 2024, estipulava a venda de uma área de 40 hectares em Teresina (PI) por R$ 14,2 milhões.
A assessoria de Ciro Nogueira informou que o contrato prevê três parcelas iniciais de R$ 2,5 milhões, seguidas de 21 parcelas mensais de R$ 300 mil a partir de fevereiro de 2025. Segundo a assessoria, o pagamento ainda não foi concluído, o que justificaria a não transferência do terreno. No entanto, a contabilidade da Polícia Federal sugere que o valor total de R$ 14,2 milhões já foi pago à empresa da família de Nogueira.
Em entrevista à TV Clube, Nogueira reafirmou que não é sócio da empresa, mas defendeu que a venda do terreno em uma área valorizada de Teresina foi legítima. Ele afirmou: “Isso é uma empresa que todos no Piauí sabem que é uma das maiores do estado, pertence a minha mãe. A própria empresa não pagou até o final, por isso não foi transferido até agora”.
O contrato de venda apresenta uma divergência nos valores, pois a soma das parcelas acordadas totaliza R$ 13,8 milhões, inferior ao valor de R$ 14,2 milhões inicialmente estipulado. A Athena Real Estate, que adquiriu o terreno, foi identificada pela PF como a principal beneficiária do fundo EUV Gladiator, vinculado ao grupo Refit, que está sob investigação.
A Polícia Federal está aprofundando as investigações sobre os pagamentos realizados à empresa da família de Ciro Nogueira. Embora um ex-assessor tenha sido alvo de busca e apreensão, o senador não foi diretamente implicado nas investigações da Operação Sem Refino. Recentemente, ele enfrentou uma busca e apreensão no âmbito da Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master.
O grupo Refit, que inclui a antiga Refinaria Manguinhos, é suspeito de corrupção e sonegação fiscal. Ricardo Magro, seu proprietário, é considerado o maior devedor de impostos do Brasil, com dívidas que ultrapassam R$ 26 bilhões.
Em uma nota enviada na quarta-feira, Ciro Nogueira reafirmou que a venda do terreno foi regular e totalmente declarada aos órgãos competentes, ressaltando que o valor da transação estava em conformidade com o mercado.
Fonte: infomoney.com.br
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