Zelle e PIX: diferenças e propostas de Eduardo Bolsonaro para negociações comerciais

deputado federal Eduardo Bolsonaro. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Recentemente, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro levantou a questão da utilização do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, em negociações comerciais com os Estados Unidos. A proposta sugere que o Brasil poderia adotar o sistema norte-americano Zelle ou flexibilizar o uso do Pix como uma forma de boa vontade diante das pressões tarifárias dos EUA.

Na manhã de quarta-feira (3), Eduardo Bolsonaro destacou que não se tratava de uma “substituição” do sistema brasileiro, mas de uma possibilidade de integração entre os dois sistemas. Essa discussão surge em meio a um contexto de investigação do Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre as práticas comerciais do Brasil, que resultou na proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros importados.

O contexto da proposta

A proposta de Eduardo Bolsonaro é relevante, considerando que o Pix foi um dos alvos da administração Trump. Os EUA alegam que o Brasil tem prejudicado empresas americanas que atuam em serviços de pagamento eletrônico. A inclusão do Pix nas discussões comerciais pode ser vista como uma tentativa de suavizar as tensões entre os dois países.

Entenda o Zelle e as diferenças para o Pix

Embora ambos sejam sistemas de pagamentos instantâneos, o Zelle e o Pix apresentam diferenças significativas em termos de estrutura e operação. O Pix é gerido pelo Banco Central (BC) do Brasil, enquanto o Zelle é operado por um consórcio privado de bancos nos EUA, o Early Warning Services. Essa diferença de gestão reflete nos objetivos de cada sistema.

No Brasil, a adoção do Pix foi obrigatória para todos os bancos e instituições financeiras, visando a inclusão financeira da população. Nos EUA, a adesão ao Zelle é voluntária, focando na redução de custos operacionais para grandes bancos privados. Além disso, o Pix é 100% gratuito para pessoas físicas, ao passo que o Zelle pode incorrer em taxas, dependendo do banco.

Uso e popularidade

O uso do Pix no Brasil é amplo, substituindo o dinheiro físico e cartões de débito em diversas transações. Em contraste, o Zelle é predominantemente utilizado para transferências entre amigos e familiares, como dividir contas ou pagar aluguéis, não sendo comum em transações comerciais. Essa diferença de uso reflete na popularidade dos sistemas: enquanto o Pix realiza cerca de 216 milhões de transações diárias, o Zelle contabiliza aproximadamente 9,8 milhões.

Segurança e proteção contra fraudes

Outro aspecto importante é a segurança. O Pix possui mecanismos de proteção contra fraudes, como o Bloco de Medidas de Segurança, que facilita a devolução em casos de golpe. No Zelle, uma vez que o dinheiro é enviado, reverter a transação é extremamente difícil, pois o sistema trata a operação como uma entrega física de dinheiro.

Essas diferenças ressaltam a complexidade das negociações comerciais entre Brasil e EUA, especialmente no que diz respeito à integração de sistemas de pagamento. A proposta de Eduardo Bolsonaro pode abrir um diálogo sobre a modernização e a adaptação dos sistemas financeiros em um contexto globalizado.

Fonte: folhavitoria.com.br

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