Divórcio revela fortuna oculta de funcionários públicos na China

Yuans

Uma disputa civil sobre um divórcio se transformou em uma investigação criminal ao expor a riqueza de dois funcionários públicos aposentados na China. O tribunal local descobriu que o casal estava em conflito por quase 100 milhões de yuans (aproximadamente US$ 15 milhões) em bens, um valor que supera consideravelmente seus rendimentos oficiais.

divórcio: cenário e impactos

O caso, que gerou intenso debate público, destaca a considerável acumulação de riqueza por alguns funcionários de nível médio durante as décadas de crescimento econômico da China. Além disso, levanta questões sobre os riscos de expor disputas pessoais em tribunais públicos.

Decisão do tribunal e encaminhamento para investigação

O Tribunal Popular do Distrito de Putuo, em Xangai, rejeitou o processo civil, afirmando que os bens do casal eram “obviamente incompatíveis” com sua renda legal. O tribunal decidiu arquivar o caso e encaminhá-lo para investigadores criminais, repassando evidências de possíveis práticas corruptas.

O início da disputa e alegações mútuas

A disputa começou quando um dos aposentados, identificado apenas como Wang, processou sua ex-esposa, Zhang, buscando a divisão de 14 imóveis avaliados em 98,7 milhões de yuans. O casal, casado desde 1976, havia se divorciado em 2007, mas não havia dividido os bens na época. Wang já havia solicitado a divisão de bens ainda maiores em um processo anterior, totalizando 140 milhões de yuans.

A batalha judicial rapidamente se transformou em uma exposição de patrimônio não declarado, com cada parte apresentando evidências contra a outra. Wang acusou Zhang de receber somas elevadas, incluindo 10 milhões de yuans de um ex-colega e 25 milhões de yuans de um caso de fraude corporativa.

Detalhes financeiros e implicações legais

Zhang, por sua vez, apresentou detalhes sobre os bens de Wang, incluindo propriedades em Pequim e Zhengzhou, além de uma dívida de 4 milhões de yuans. Ela também mencionou produtos de gestão de patrimônio e fundos fiduciários que somavam mais de 7 milhões de yuans.

O tribunal observou que Wang, que se aposentou em 2016 de uma posição de vice-diretor-geral na China Energy Investment, e Zhang, ex-policial, estão ambos em risco de enfrentar sérias consequências legais. O Artigo 395 do Código Penal da China criminaliza a posse de bens de grande valor não identificados, e a discrepância entre a renda e os bens pode ser considerada ganho ilícito.

Consequências e repercussões sociais

A decisão do tribunal de rejeitar o processo civil foi baseada nas diretrizes do Supremo Tribunal Popular, que determinam que casos com suspeitas de crimes econômicos devem ser arquivados e encaminhados para investigação criminal. A sentença foi proferida em setembro de 2023, mas só ganhou notoriedade nas redes sociais recentemente, gerando debates sobre a riqueza oculta de funcionários públicos na China.

Um advogado que representa uma das partes se recusou a comentar sobre o caso, que continua a ser um tema de discussão intensa na sociedade chinesa.


Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 4.jun.2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.

Fonte: poder360.com.br

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