Projeto no Senado busca permitir divórcio unilateral no Brasil

Acervo pessoal

Um novo projeto de lei no Senado propõe uma mudança significativa no Código Civil, permitindo que casais se divorciem de forma unilateral no Brasil. A proposta visa facilitar o processo de separação, permitindo que um dos cônjuges solicite o divórcio diretamente no cartório, mesmo na ausência de acordo mútuo.

Com a nova legislação, o cônjuge que não concorda com a separação será notificado formalmente, e a separação poderá ser oficializada no cartório. O divórcio será formalizado independentemente da manifestação da outra parte.

Atualmente, o divórcio extrajudicial só é possível quando ambos os cônjuges concordam com o fim do casamento. Embora o divórcio unilateral já exista, ele requer um processo judicial, o que pode ser demorado e custoso.

Funcionamento do divórcio unilateral

A advogada Camila Rodrigues explica que a proposta busca simplificar o divórcio em situações onde não há consenso, já que o processo litigioso é frequentemente longo e desgastante. A lógica da proposta é que o divórcio é um direito que depende apenas da vontade de uma das partes, não podendo ninguém ser forçado a permanecer casado.

A lógica por trás da proposta é a de que o divórcio é um direito potestativo, ou seja, depende da vontade de apenas uma das partes, ninguém pode ser obrigado a permanecer casado.

Camila Rodrigues, advogada

Ela ressalta que a mudança desvincula o término do casamento de questões como partilha de bens, guarda e pensão. Essas questões devem ser decididas separadamente, mas o pedido de divórcio unilateral garantirá a separação.

Além disso, a proposta pode reduzir custos e aliviar a carga dos tribunais, tornando o processo mais ágil e acessível.

Ao tirar do Judiciário os divórcios que não envolvem litígio real sobre o próprio vínculo, a proposta tende a aliviar a sobrecarga dos tribunais e tornar o procedimento mais rápido e barato. O ganho de agilidade é o ponto mais elogiado da reforma.

Camila Rodrigues, advogada

Notificação e segurança jurídica

O advogado Eduardo Sarlo, especialista em Direito Civil e secretário-geral da OAB-ES, destacou a importância da desburocratização do processo. A proposta prevê que a notificação formal ao cônjuge deve ser feita por meios que garantam a ciência da outra parte, como correspondência com aviso de recebimento ou notificação por oficial competente.

Em princípio, deverão ser utilizados meios alternativos de notificação, preservando o contraditório e a segurança jurídica. A recusa injustificada em receber a comunicação não deve impedir a efetivação do divórcio.

Eduardo Sarlo, advogado

Questões relacionadas à guarda e partilha de bens

Quando o casal tem filhos menores, a advogada Camila Rodrigues ressalta que a participação do Ministério Público é necessária para proteger os direitos das crianças. Mesmo com a mudança, questões sobre guarda e convivência familiar continuarão a exigir análise judicial quando não houver acordo.

A partilha de bens permanece inalterada, e o divórcio poderá ocorrer independentemente da resolução dessas questões. A advogada destaca que o casal pode se divorciar e discutir a partilha de bens posteriormente.

Benefícios e riscos da proposta

A proposta também pode beneficiar vítimas de violência doméstica, permitindo que elas se divorciem sem contato com o agressor. No entanto, a advogada Camila Rodrigues alerta para os riscos, como a possibilidade de uma pessoa se divorciar sem estar ciente do processo, especialmente se a notificação for feita por edital.

Esse é o principal alerta levantado por especialistas. Daí a importância de a regulamentação detalhar bem prazos e formas de notificação, para reduzir brechas.

Camila Rodrigues, advogada

Eduardo Sarlo reconhece as críticas, mas acredita que a proposta busca evitar essa situação ao exigir notificação formal. Ele enfatiza a necessidade de mecanismos eficazes para garantir que todas as partes estejam cientes do processo.

Orientações para casais

Os advogados Camila Rodrigues e Eduardo Sarlo recomendam que os casais mantenham seus dados atualizados e busquem orientação jurídica, especialmente se a mudança na lei for aprovada. Algumas dicas incluem:

  • Manter endereços e dados de contato atualizados;
  • Reunir documentação patrimonial e registros financeiros;
  • Buscar orientação jurídica desde o início;
  • Tratar questões de partilha, guarda e pensão de forma adequada.

Fonte: folhavitoria.com.br

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