STJ adia análise de restrições a pai de ex-governador do Acre

Gladson Cameli (à dir.) recebe a faixa governamental do pai, Eládio Cameli (à esq.), durante cerimônia de posse no governo do Acre, em 2019

A Corte Especial do STJ (Superior Tribunal de Justiça) adiou a análise de um recurso do empresário Eládio Messias Cameli, pai do ex-governador do Acre, Gladson Cameli, condenado a 25 anos e 9 meses por corrupção e organização criminosa na Operação Ptolomeu.

stj: cenário e impactos

A defesa de Eládio buscava reverter decisões que impuseram medidas cautelares, como bloqueio de bens e suspensão de atividades empresariais, para evitar riscos de continuidade de crimes e ocultação de patrimônio.

O julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Luis Felipe Salomão, que destacou que a relação familiar com Gladson Cameli não é suficiente para justificar as restrições. O ministro tem até 60 dias para devolver o processo, podendo ser prorrogado por mais 30 dias.

O caso não envolvia uma nova condenação, mas a análise de embargos de declaração, um recurso para apontar omissões ou contradições em decisões anteriores.

A relatora, ministra Nancy Andrighi, votou pela manutenção das restrições, argumentando que a revogação poderia permitir o retorno da organização criminosa. Ela mencionou que algumas empresas continuaram suas atividades, levando-as para Manaus.

O ministro João Otávio de Noronha divergiu, afirmando que as medidas não devem servir como uma cautelar geral para diversos processos sem vínculo específico.

Operação Ptolomeu

A Operação Ptolomeu investiga corrupção, lavagem de dinheiro, peculato, fraude à licitação e organização criminosa no governo do Acre.

O Poder360 reportou que a ação penal contra Gladson Cameli é resultado dessa operação, conduzida pela PF desde 2019, que apura desvios de R$ 11,7 milhões em contratos públicos no Estado.

Em maio de 2024, o STJ aceitou denúncia da PGR contra Gladson, que foi acusado de ser o líder do esquema. O pedido de afastamento do cargo foi rejeitado. Leia a íntegra (PDF — 120 kB).

Gladson foi condenado em maio de 2026 a 25 anos e 9 meses de prisão, em regime inicial fechado, por organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação.

Fonte: poder360.com.br

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