A semana começou com um movimento inesperado. O IPCA de maio superou as expectativas, mas as taxas do Tesouro IPCA+ caíram drasticamente após um acordo entre Estados Unidos e Irã que impactou o preço do petróleo. Segundo Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, a inflação não assustou o mercado, pois estava concentrada em itens de choque de oferta. A mecânica dos títulos também influenciou a reação, já que o IPCA+ corrige o principal pela inflação, não exigindo taxas mais altas no mercado secundário.
Na quarta-feira, dois eventos marcaram o mercado. Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, anunciou a manutenção das taxas de juros nos EUA, mas elevou as projeções de inflação. O discurso foi interpretado como um sinal de que os juros permanecerão altos por mais tempo, impactando imediatamente os ativos brasileiros. O Copom, em uma decisão unânime, cortou a Selic para 14,25% ao ano, mas o comunicado gerou confusão entre analistas, levando a reações voláteis no mercado.
Após a decisão do Copom, as negociações do Tesouro foram suspensas, e na reabertura, os prefixados subiram mais de 25 pontos-base. O IPCA+ 2032 chegou a 8,51% ao ano, o maior nível da semana. No final da semana, um alívio no cenário externo ajudou a reduzir a pressão sobre a curva brasileira, mas o IPCA+ 2032 fechou a 8,47%, o maior fechamento desde 2008.
Quando o mercado exige um IPCA+ de 8,47% para emprestar ao governo por seis anos, isso indica uma percepção de risco elevado. Para empresas que dependem do crédito privado, a situação é ainda mais crítica, uma vez que a Selic acima de 14% eleva o custo das dívidas corporativas para quase 20% ao ano. Sami Karlik, da Tivio Capital, ressalta que é necessário ter uma margem robusta para lucrar com dívidas tão altas.
Gestores como a Kapitalo e a Vista Capital têm visões divergentes. Enquanto a Kapitalo acredita que as taxas estão elevadas e têm espaço para queda, a Vista Capital prevê uma diminuição dos juros reais, seja por ajustes fiscais ou pela dominância fiscal que pode afetar a âncora de preços.
Especialistas recomendam que os investidores não ignorem os títulos atrelados à inflação. Victor Furtado, da W1 Capital, destaca que, em 93% das vezes em que o IMA-B 5 superou IPCA+ 6%, o retorno em 12 meses foi acima de 100% do CDI. A preferência recai sobre vencimentos intermediários, com recomendações para prazos entre 2031 e 2035.
Para quem já está posicionado, a paciência é crucial. O foco deve ser na proteção do capital contra a inflação e na multiplicação dos investimentos ao longo do tempo. Ângelo Belitardo, da Hike Capital, sugere manter a posição em IPCA+ 8% até o final de 2026, aguardando maior clareza nas eleições.
Fonte: infomoney.com.br
PUBLICIDADE