O recente acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, apesar das incertezas, tem gerado repercussões significativas no mercado financeiro. O Goldman Sachs avaliou como esse entendimento pode impactar as ações nos setores de energia, transporte e infraestrutura na América Latina. A equipe de analistas, liderada por Bruno Amorim, observou que a redução das tensões geopolíticas já começou a aliviar a pressão sobre os juros nos mercados emergentes, embora a postura mais rigorosa do Federal Reserve tenha contrabalançado esse movimento.
Desde o dia 12 de junho, as bolsas de mercados emergentes apresentaram uma alta de cerca de 5%, impulsionadas pelo anúncio do acordo e pela queda dos preços do petróleo. O Goldman Sachs destaca que muitos setores ainda estão negociando abaixo dos níveis anteriores ao conflito, o que abre espaço para uma recuperação contínua.
Produtores de petróleo: uma análise detalhada
Os preços do Brent, embora tenham recuado nas últimas semanas, ainda permanecem acima dos níveis do início do ano. O Goldman Sachs aponta que cerca de um terço da alta acumulada do petróleo em 2026 foi devolvida no último mês, refletindo-se nas ações do setor. As ações das produtoras, que há um mês apresentavam uma valorização média de 50%, agora avançam cerca de 33%.
Apesar dessa correção, os analistas consideram que as ações ainda estão descontadas. Os papéis com recomendação de compra estão precificando um Brent em torno de US$ 65 por barril, abaixo dos US$ 72 indicados pela curva futura de dois anos. O Goldman projeta um rendimento de fluxo de caixa livre de 17% para a Petrobras e de 25% para a PRIO em 2027, considerando um Brent próximo de US$ 74 por barril.
Distribuidoras de combustíveis: cenário e desafios
O Goldman Sachs observa que a rentabilidade das distribuidoras de combustíveis aumentou devido a preços subsidiados da Petrobras. Um acordo entre EUA e Irã poderia reduzir os preços de combustíveis importados, pressionando as margens das distribuidoras. No entanto, os fundamentos permanecem favoráveis, com spreads de diesel e preços do Brent ainda em alta.
Empresas como Vibra e Ultrapar estão negociando a múltiplos considerados atrativos, de cerca de 7,9 vezes e 7,6 vezes o lucro projetado para 2027, respectivamente. Além disso, uma eventual queda dos juros no Brasil poderia ajudar a compensar a pressão sobre as margens.
Utilities: potencial de valorização
Para o setor de utilities, o Goldman Sachs acredita que a desescalada das tensões geopolíticas pode trazer benefícios significativos, como a redução do custo de capital. Companhias como Sabesp, Equatorial e Energisa podem se beneficiar de um cenário de normalização dos juros, apresentando potencial de valorização com baixo risco de demanda.
Os analistas destacam que as companhias operam com níveis elevados de alavancagem, o que aumenta a sensibilidade a movimentos de queda das taxas de juros. A normalização desse cenário poderia resultar em uma valorização de 20% a 30% nas ações, além de oferecer um carrego anual próximo de 12%.
Transporte e infraestrutura: um novo panorama
No segmento de transporte e infraestrutura, o Goldman Sachs acredita que um ambiente de menores tensões geopolíticas pode favorecer o setor. A redução dos custos de financiamento pode impulsionar as ações, especialmente em um cenário onde a demanda se mantenha estável. A expectativa é que as empresas se beneficiem da recuperação econômica e da normalização das condições de mercado.
Fonte: infomoney.com.br