Greves em sindicatos da Airbus marcam protestos contra aumento de dias de trabalho presencial

Um logotipo da Airbus é visto antes da abertura do 55º International Paris Airshow no Aeroporto de Le Bourget, perto de Paris, França, em 13 de junho de 2025. REUTERS/Benoit Tessie

Os sindicatos franceses convocaram paralisações e protestos de um dia na Airbus nesta quinta-feira (25), em resposta à decisão da fabricante europeia de aumentar o número de dias de trabalho presenciais para funcionários administrativos de pelo menos três para quatro por semana.

A medida, rara na Airbus, foi anunciada após uma carta enviada pelo CEO Guillaume Faury em 9 de junho, na qual ele solicitava maior foco, qualidade e “presença individual no local”, em meio a um início de ano lento nas entregas de aeronaves comerciais.

A Airbus enfrenta pressão para cumprir sua meta anual de entrega de 870 jatos, enquanto lida com dificuldades na cadeia de suprimentos, especialmente a escassez de motores.

Mobilização dos sindicatos e protestos

O sindicato CGT convocou os funcionários a se reunirem na fábrica da Airbus em Blagnac, perto de Toulouse, para expressar sua indignação diante das janelas do CEO. Segundo a CGT, mais de 100 funcionários participaram da manifestação, embora não tenha sido divulgado o número total de adesões à greve. Até o momento, não houve relatos de impacto na produção.

Além disso, o sindicato CFDT organizou um protesto em frente ao mesmo prédio para o dia 30 de junho e está considerando a possibilidade de entrar com uma ação judicial, alegando que a Airbus estaria aplicando seu acordo de trabalho remoto de 2024 de má-fé.

Reuniões e negociações futuras

A FO, o maior sindicato da Airbus na França, pediu que quaisquer alterações na política de trabalho fossem suspensas até a reunião do conselho de trabalhadores europeu da Airbus, marcada para 7 de julho. O sindicato afirmou que a direção garantiu que o acordo de trabalho híbrido permanece válido até 2028.

A carta de Faury, que foi divulgada inicialmente pela Bloomberg, já foi vista pela Reuters e destaca a necessidade de um aumento na produção, em um cenário geopolítico e econômico instável.

Desafios e futuro da Airbus

A Airbus, que possui suas principais operações na França, Alemanha, Espanha e Reino Unido, confirmou que está enfrentando um aumento de produção sem precedentes. Um porta-voz da empresa reiterou a nova política de trabalho híbrido para todo o grupo, enfatizando que a flexibilidade continua sendo parte da cultura da Airbus, mas que a prioridade é garantir a colaboração entre os funcionários.

É importante ressaltar que essa política se aplica a funções administrativas, como engenheiros, e nem todos os operários de linha de montagem e técnicos são elegíveis para o trabalho híbrido.

Próximos passos após a greve

Após os protestos, um representante da CGT informou que o sindicato solicitou uma reunião oficial com Faury na próxima semana para discutir as preocupações levantadas pelos funcionários e buscar soluções para a situação atual.

Fonte: cnnbrasil.com.br

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