O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enviou ao USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) uma proposta de 86 páginas, na quinta-feira (2.jul.2026), sugerindo que o governo norte-americano não implemente imediatamente as tarifas de 25% previstas contra produtos brasileiros. Em vez disso, ele propôs a abertura de um período de negociação entre os dois países antes de qualquer medida entrar em vigor.
Nas páginas 17 e 18 do documento, Flávio não pede o cancelamento das tarifas, mas propõe um mecanismo de snapback, que funcionaria como uma última tentativa de acordo. Segundo o modelo sugerido, as tarifas ficariam suspensas por 180 dias enquanto Brasil e Estados Unidos buscariam uma solução negociada. O prazo poderia ser estendido por mais 90 dias caso as negociações apresentassem avanços concretos.
Íntegra em inglês do pedido de Flávio aos EUA para a pausa de 180 dias antes de novas tarifas
Leia a íntegra traduzida do pedido de Flávio:
“Juntamente com a suspensão das ações propostas, o autor desta manifestação propõe um mecanismo de restabelecimento automático (“snapback”) de 180 dias, prorrogável por mais 90 dias caso as negociações demonstrem boa-fé e progresso concreto.”
“O governo atual teria esse período para participar de negociações conduzidas de boa-fé, sem a perspectiva de obter dividendos eleitorais ou enfrentar as consequências do restabelecimento dessas ações.”
Investigação norte-americana e suas implicações
A proposta foi apresentada durante a investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Essa seção é utilizada para apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses americanos, incluindo questões como comércio digital, tarifas e desmatamento.
Flávio argumenta que tarifas anteriores não alteraram o comportamento das autoridades brasileiras e, ao contrário, fortaleceram politicamente o governo Lula. Ele menciona que pesquisas de opinião pública mostram que a posição eleitoral do governo atual se fortaleceu durante os períodos de pressão tarifária dos EUA.
Com a proximidade das eleições brasileiras, Flávio acredita que a suspensão temporária das tarifas poderia facilitar as negociações, evitando que disputas comerciais se transformem em ganhos eleitorais.
Argumentos adicionais para a proposta
Além do aspecto político, Flávio sustenta que a legislação americana permite adiar a implementação de tarifas por até 180 dias quando há interesse econômico nacional e negociações relevantes em andamento. Ele alerta que tarifas amplas poderiam trazer custos para a economia americana, afetando consumidores e empresas dos Estados Unidos.
Fonte: poder360.com.br