A pesquisa analisou dados de 118.593 homens de diversos países, incluindo Israel, Estados Unidos, Brasil, Finlândia e Dinamarca, entre 1972 e 2019. Os pesquisadores notaram que a queda na testosterona representa uma diminuição superior a 1% ao ano, com uma aceleração observada após 2000.
De acordo com Hagai Levine, professor da Universidade Hebraica-Hadassah e um dos autores do estudo, essa tendência não é um erro estatístico, mas sim uma preocupação real. A testosterona, principal hormônio sexual masculino, desempenha um papel crucial na produção de espermatozoides, libido, formação de massa muscular e densidade óssea, além de influenciar o humor e os níveis de energia.
Os pesquisadores apontam que o aumento da obesidade e do diabetes pode ser responsável por parte da redução observada. O excesso de gordura corporal pode levar à conversão da testosterona em estrogênio, diminuindo sua concentração. Além disso, a equipe sugere que outros fatores, como a exposição a substâncias químicas e mudanças climáticas, também possam estar envolvidos.
Levine estima que a obesidade e a síndrome metabólica expliquem entre 25% e 50% da queda, mas enfatiza a necessidade de investigar mais a fundo os impactos ambientais.
Nem todos os especialistas concordam com a ideia de que fatores ambientais são os principais responsáveis. Channa Jayasena, endocrinologista reprodutivo do Imperial College London, acredita que obesidade e diabetes são explicações suficientes para os resultados. A discussão sobre a influência de fatores externos continua em aberto.
Outro ponto de preocupação é o uso crescente de suplementos de testosterona, amplamente promovidos nas redes sociais. Allan Pacey, professor de Andrologia da Universidade de Manchester, alerta que a administração de testosterona pode interromper a produção de espermatozoides, o que pode ser prejudicial para homens que desejam ter filhos.
O estudo contribui para o crescente debate sobre a fertilidade masculina, que ganhou destaque nos últimos anos. Apesar dos dados alarmantes, os pesquisadores ressaltam a importância de novos estudos para entender melhor as causas da queda da testosterona e o impacto de cada fator.
Fonte: infomoney.com.br
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