Na última segunda-feira (20), milhares de jovens indianos tomaram as ruas de Calcutá e Nova Délhi, clamando pela renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan. Os protestos fazem parte do movimento conhecido como “das baratas”, que tem ganhado força entre a geração Z, sentindo-se marginalizada pelas autoridades do país.
O grupo, que se autodenomina CJP (Cockroach Janta Party), utiliza a sátira para criticar o principal partido da Índia, o BJP (Bharatiya Janata Party). Em seu site, o CJP se propõe a ser uma voz para aqueles que são frequentemente rotulados como “preguiçosos” e “desempregados”.
A expressão “baratas” foi popularizada por Surya Kant, presidente da Suprema Corte da Índia, que, em maio, comparou jovens desempregados a esses insetos, afirmando que eles não conseguem emprego e não têm lugar na profissão. Apesar de suas tentativas de retratação, o termo já havia se consolidado entre os jovens, que agora o ressignificam como um símbolo de resistência.
A insatisfação com o desemprego juvenil
O desemprego entre jovens indianos é um tema recorrente. Dados de 2025 indicam que a taxa de desemprego para pessoas de 15 a 29 anos era de 9,9%, com índices ainda mais altos em áreas urbanas. O CJP, que já conta com mais de 24 milhões de seguidores no Instagram, surgiu inicialmente como uma sátira, mas agora mobiliza manifestações significativas.
Demandas e consequências dos protestos
O fundador do CJP, Abhijeet Dipke, liderou um protesto permanente em resposta ao vazamento de provas do exame nacional de admissão às faculdades de Medicina, que afetou mais de 2 milhões de estudantes. A insatisfação com a gestão de Pradhan aumentou após o vazamento, que resultou em tragédias, incluindo suicídios de estudantes.
As manifestações em Nova Délhi resultaram em confrontos com a polícia, deixando cerca de 180 feridos, incluindo manifestantes e agentes de segurança. O ativista Sonam Wangchuk também se juntou ao movimento, realizando uma greve de fome para apoiar as reivindicações do CJP.
O manifesto do CJP
O CJP disponibiliza um manifesto em seu site, que expõe suas principais propostas caso venha a assumir o poder. Entre os objetivos estão a proibição de concessões de cargos a ex-presidentes da Suprema Corte e a responsabilização da Comissão Eleitoral por anulações de votos. A proposta é uma mistura de sátira e seriedade, refletindo a insatisfação da juventude com o atual cenário político.
Fonte: cnnbrasil.com.br