Nicarágua avança na extinção das eleições sob comando de Ortega

Nicarágua avança na extinção das eleições sob comando de Ortega

A Assembleia Nacional da Nicarágua anunciou, nesta quarta-feira (22.jul.2026), o início de reuniões com autoridades eleitorais para desenvolver um plano que implemente as diretrizes do presidente Daniel Ortega, que visa abolir as eleições no país. A decisão ocorre após Ortega declarar, no último domingo (19.jul), o fim do processo democrático na Nicarágua, levando o Congresso a avançar em reformas legais e constitucionais para formalizar essa mudança.

O presidente da Assembleia Nacional, Gustavo Porras, afirmou que a Casa está se preparando para evitar uma possível intervenção estrangeira. Ele mencionou que um projeto de lei está sendo elaborado com esse objetivo. “O discurso do comandante Daniel resume a história do povo nicaraguense. Essa expressão de que neste país não haverá mais eleições para que os imperialistas, os inimigos do povo, retornem ao poder é concisa”, declarou Porras em entrevista.

Em comunicado, a Assembleia Nacional destacou que iniciará as “análises necessárias” para criar um plano de trabalho alinhado às orientações do presidente. O Congresso também programou sessões especiais com o Conselho Supremo Eleitoral, que até então era responsável pela condução das eleições.

A nota oficial afirma que “a Assembleia Nacional realizará sessões especiais visando a um Estado e a um caminho que assegurem as bases jurídicas deste aspecto crucial da integridade institucional, e para apoiar as práticas políticas, democráticas, soberanas e livres de nossos processos eleitorais nacionais e locais”. O objetivo dessas sessões é garantir os trâmites constitucionais, legais e formais que darão suporte às futuras reformas.

Com essa medida, Ortega bloqueia o caminho eleitoral para a oposição, assegurando a continuidade de um poder que detém desde 2007, além de um mandato anterior nos anos 1980. O anúncio se dá em um contexto de movimentos que reforçam o domínio do casal Ortega-Murillo sobre o Estado. No ano passado, reformas constitucionais nomearam Rosario Murillo, esposa de Ortega, como “copresidente” e estenderam o mandato presidencial para seis anos.

Fonte: poder360.com.br

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