O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, deu luz verde para que a Polícia Federal inicie uma investigação contra o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça. O inquérito investiga a suspeita de venda de sentenças, um tema que já havia sido abordado em investigações anteriores, como a que envolveu o ministro Mauro Ribeiro, autorizada por Zanin em 29 de maio.
Zanin é o relator do inquérito que apura um suposto esquema de antecipação de minutas de decisões de ministros do STJ para lobistas e empresários do agronegócio. A Procuradoria Geral da República (PGR) denunciou, em 27 de maio, nove investigados, incluindo o empresário Anderson de Oliveira Gonçalves e assessores de gabinetes de ministros do tribunal.
Relatórios da PF e novos indícios
Um relatório da Polícia Federal, datado de outubro, menciona repasses financeiros à advogada Catarina Buzzi, filha de Marco Buzzi. Mensagens encontradas no celular do lobista Anderson de Oliveira Gonçalves indicam que ele cobrava R$ 1,12 milhão por um trabalho que, segundo as investigações, não teria sido realizado. Após a troca do delegado responsável pelo caso, um novo relatório concluiu que não havia indícios de irregularidades na atuação da advogada, mas novos elementos reunidos pela PF levaram à reabertura do inquérito.
Posição de Buzzi sobre as acusações
Em uma nota, Marco Buzzi afirmou que “não tem relação com atividades de nenhum de seus familiares, ao contrário, é impedido de exercer função de juiz em casos em que familiares atuem”. Ele também declarou que “não tem conhecimento de andamentos do caso em tela, tampouco figura como investigado”.
Buzzi está afastado do STJ desde 10 de fevereiro, quando começou a responder a um processo administrativo devido a uma acusação de importunação sexual envolvendo uma ex-assessora de 18 anos. O julgamento está agendado para 6 de agosto.
Fonte: poder360.com.br