Fachin responde a críticas de Milei e defende a integridade do STF

Fachin responde a críticas de Milei e defende a integridade do STF
Fotomontagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Marina Uezima/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, se manifestou em resposta às críticas feitas pelo presidente da Argentina, Javier Milei, direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes. Os ataques ocorreram durante um discurso de Milei no evento de lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

Milei expressou descontentamento por não ter recebido autorização para visitar Jair Bolsonaro, que se encontra em prisão domiciliar após condenação por tentativa de golpe de Estado. O presidente argentino comparou a situação à época em que Luiz Inácio Lula da Silva esteve preso.

“Para piorar tudo, o lixo… Ele não me permitiu visitar meu amigo injustamente preso, embora eu saiba que Lula estava cansado de receber líderes estrangeiros enquanto estava na prisão, incluindo o nefasto ex-presidente argentino Alberto Fernández”, afirmou Milei, referindo-se a Moraes.

Em resposta, Fachin repudiou as críticas ao colega do STF. Em uma nota, ele classificou a declaração de Milei como desrespeitosa e incompatível com a civilidade, reafirmando a autonomia do Judiciário brasileiro.

“Tomei conhecimento da declaração do Presidente da Argentina sobre Ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil. Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”, escreveu Fachin.

O ministro Flávio Dino também se manifestou sobre o assunto. Sem citar nomes, ele publicou uma nota em seu perfil no Instagram criticando “trapaceiros” e exaltando o Poder Judiciário na defesa do constitucionalismo, que é essencialmente um sistema de limitação de poderes estatais e privados, inclusive estrangeiros.

“Em consequência, um bom Tribunal estabelece fronteiras intransponíveis para os totalitários e trapaceiros”, acrescentou Dino.

Fonte: folhavitoria.com.br

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