“Ser quem você é seu superpoder”
No painel do 3º dia da Expert XP 2026, Lucas Pinheiro Braathen, o primeiro medalhista brasileiro e latino-americano a conquistar uma medalha de ouro em Jogos Olímpicos de Inverno, compartilhou sua trajetória e como a pressão se tornou um privilégio em sua vida. O atleta, que se destacou no slalom gigante, explicou como sua identidade foi moldada por sua dupla nacionalidade, sendo filho de um norueguês e uma brasileira.
A infância de Lucas foi marcada por desafios em encontrar seu lugar no mundo, vivendo entre duas culturas. Ele relata: “Eu sou uma pessoa que não estava muito confiante no início da minha vida. Eu vivia entre duas culturas e isso era muito difícil. Eu estava sempre mudando e nunca achei a minha casa.” Contudo, com o tempo, ele percebeu que essa diversidade cultural era sua maior força, afirmando que “minha diferença é meu superpoder”.
O apoio incondicional de seu pai foi fundamental em sua jornada. Enquanto muitos duvidavam de seu potencial, seu pai acreditou que ele poderia se tornar o melhor atleta do mundo. Essa crença o levou a cultivar uma conexão com sua intuição, priorizando decisões que refletissem sua verdadeira essência, em vez de seguir tendências.
Influência das Artes na Performance
Diferente do que se imagina de um atleta de elite, Lucas não veio de uma família ligada ao esporte, mas sim ao universo das artes. Essa formação lhe conferiu uma perspectiva única sobre desempenho, criatividade e expressão pessoal. Para ele, o esporte é mais do que uma competição; é um espaço para expressar sua individualidade.
“Para virar o melhor do mundo você precisa de um propósito que vai além do troféu e da medalha. Se você consegue seguir o propósito todo o dia, você vai realizar a sua potência”, afirma Braathen.
Representatividade e Inspiração
Lucas destaca a importância de ser uma referência para as novas gerações. Ele encontrou no Brasil a liberdade necessária para crescer e se tornou um símbolo para atletas que desejam seguir seus próprios caminhos. “Eu sou o único atleta no meu esporte vestindo as nossas cores, seja o Brasil ganhe ou perca, e essa é a lindeza e o privilégio da minha situação”, diz.
Após conquistar sua medalha olímpica, Lucas foi constantemente questionado sobre o que viria a seguir. Para ele, a medalha é apenas uma fase de sua carreira e parte de um sonho maior. “Espero que essas conquistas abram portas, que isso possa se tornar uma fonte de inspiração pra nova geração que tudo realmente é possível”, afirma.
A Pressão como Privilégio
Ao abordar o tema da alta performance, Lucas enfatiza que o dia da competição é apenas uma extensão do trabalho diário. “A pressão é um privilégio. Se você consegue abraçar essa pressão como um privilégio, alcança energia de alta frequência”, destaca.
Ele também ressalta que o sucesso não depende apenas do desempenho individual, mas de uma estrutura sólida ao seu redor. Sua equipe é organizada como uma empresa, onde cada membro desempenha um papel crucial. “A gente construiu a minha equipe como uma empresa e eu sou o produto”, explica.
Após conquistar uma Copa do Mundo pela Noruega, Lucas decidiu representar o Brasil, buscando mais liberdade para evoluir. Hoje, como único atleta de sua modalidade vestindo as cores brasileiras, ele carrega essa responsabilidade com orgulho, reafirmando que a pressão é um privilégio e que seu sucesso é resultado de viver de acordo com sua autenticidade.
“No fim das contas, eu tento viver a minha vida do jeito que eu sou, seguindo meus próprios sonhos e todo o sucesso e as conquistas ou talvez algum feito são consequências de fazer a coisa que me deixa mais feliz”, conclui.
Fonte: infomoney.com.br