(Bloomberg) – Durante a noite, o Irã atacou forças americanas, enquanto os Estados Unidos e a Arábia Saudita atingiram milícias apoiadas por Teerã no Iraque, encerrando abruptamente uma trégua de hostilidades que durava dias.
Os ataques ocorrem após uma breve pausa nas hostilidades, que havia proporcionado uma queda significativa nos preços da energia, permitindo uma nova chance para a diplomacia.
No entanto, na terça-feira, a Arábia Saudita interceptou drones lançados por grupos iraquianos que visavam suas instalações petrolíferas. Em resposta, os militares dos EUA relataram que a Guarda Revolucionária Islâmica disparou mísseis contra tropas americanas na região, todos interceptados. A mídia iraniana informou que a Guarda Revolucionária atacou uma base na Jordânia em retaliação às ações dos EUA, embora sem fornecer detalhes.
Cooperação militar entre EUA e Arábia Saudita
Os Estados Unidos e a Arábia Saudita realizaram ataques conjuntos a armas e outros locais pertencentes a “terroristas alinhados ao Irã” no Iraque. Segundo o exército americano, a Guarda Revolucionária Islâmica teria ordenado que essas milícias realizassem mais de 30 ataques com drones nos últimos dias.
Os recentes confrontos evidenciam a distância entre o Irã e os EUA em relação a um possível reinício das negociações de paz, dificultando um acordo que encerre permanentemente a guerra e reabra o Estreito de Ormuz.
Impacto nos preços do petróleo e na economia global
O conflito, que já dura seis meses, tem gerado frustração no governo americano, especialmente com a alta dos preços da gasolina e a crescente oposição à guerra, prejudicando a popularidade do presidente Donald Trump às vésperas das eleições de meio de mandato.
Na quarta-feira, o petróleo Brent subiu quase 4%, atingindo US$ 87,10 o barril, elevando seu ganho acumulado em julho para 20%. Apesar disso, ainda está abaixo dos US$ 100 que alcançou antes da suspensão dos ataques.
Fechamento do Estreito de Ormuz e negociações falhas
O Estreito de Ormuz permanece praticamente fechado, com poucos navios transitando. A Guarda Revolucionária Islâmica alegou ter “atingido e imobilizado” três petroleiros, acusando-os de navegar por rotas inseguras.
As negociações entre o Irã e Omã para aumentar o tráfego marítimo no Golfo Pérsico, vital para o fluxo de energia, parecem ter fracassado. O Irã rejeitou uma proposta omanita que buscava um controle compartilhado sobre as embarcações, optando por um controle exclusivo.
Milícias iraquianas e a escalada do conflito
A decisão das milícias iraquianas de se juntar ao conflito aumenta o risco de uma nova frente de guerra. O Irã tem financiado e treinado grupos militantes xiitas no Iraque desde a invasão dos EUA em 2003.
Washington busca reduzir a influência do Irã sobre esses grupos. Recentemente, Trump se encontrou com o novo primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, que prometeu desarmar as milícias, que continuam poderosas tanto política quanto militarmente.
O Irã negou envolvimento nos ataques contra a Arábia Saudita, afirmando que atribuir todas as ações contra os interesses dos EUA na região à República Islâmica é um erro de cálculo.
As milícias iraquianas também estão ligadas a ataques contra instalações sauditas no Mar Vermelho, perpetrados pelos houthis, um grupo apoiado pelo Irã. As operações dos houthis podem fechar o estreito de Bab el-Mandeb, outro ponto crítico para os mercados globais de petróleo.
Fonte: infomoney.com.br