Desde a implementação da nova regra do Ministério de Minas e Energia em 2024, que ampliou o acesso ao mercado livre, 41% das indústrias brasileiras já aderiram a essa modalidade. Apesar desse avanço, ainda há um grande potencial de crescimento, pois 37% das empresas atendidas em baixa tensão que permanecem no mercado regulado expressaram interesse em migrar, indicando que a abertura gradual do setor pode continuar a impulsionar novas adesões nos próximos anos.
Roberto Wagner Pereira, gerente de Energia da CNI, destaca que o custo da eletricidade se tornou um fator estratégico para a competitividade industrial. “A pesquisa mostra a importância desse custo para a competitividade da indústria e que o caminho escolhido pelas empresas para diminuir as tarifas passa pela migração ao mercado livre”, afirma.
Os dados da pesquisa revelam que a energia elétrica é o principal insumo energético para 79% das indústrias brasileiras. A importância desse fator é reforçada pelo fato de que 83% dos empresários consideram o custo da energia decisivo para a competitividade, enquanto 67% afirmam que o aumento das tarifas impacta diretamente os custos de produção.
Nos últimos 12 meses, 62% das empresas relataram ter sentido os efeitos da variação dos preços da energia elétrica. Embora a maioria tenha enfrentado reajustes moderados, o impacto foi suficiente para motivar investimentos voltados à redução das despesas. A pesquisa indica que 64% das indústrias adotaram medidas para cortar gastos com energia, sendo que 30% delas optaram pela migração para o mercado livre.
A adesão ao mercado livre de energia varia conforme o porte das empresas. Entre as grandes indústrias atendidas em alta tensão, 63% já compram energia nesse ambiente de contratação livre. Em contrapartida, apenas 22% das pequenas empresas aderiram, com 45% delas ainda permanecendo no mercado cativo. Esses dados sugerem que há um espaço significativo para a expansão da modalidade à medida que mais consumidores atendam aos critérios regulatórios.
Além da migração para o mercado livre, muitas indústrias estão investindo em geração própria de energia e em ações para reduzir o consumo. O setor de produtos de borracha lidera os investimentos em autogeração, com 25% das empresas, enquanto a indústria calçadista se destaca com 47% de adesão ao ambiente de livre contratação. O segmento de equipamentos de informática e produtos eletrônicos também se destacou, com 25% das empresas investindo em eficiência energética.
Roberto Pereira ressalta que, além da ampliação do mercado livre, o Brasil precisa avançar em mudanças estruturais no setor elétrico. “É fundamental melhorar o sinal de preços com tarifas mais dinâmicas, que reflitam a geração, o horário e a demanda dos consumidores. Também é imprescindível rever a quantidade de subsídios que encarecem a conta de energia”, conclui.
A “Sondagem Especial Indústria e Energia” foi realizada em abril pela CNI, com a participação de 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação, incluindo 601 pequenas, 529 médias e 368 grandes empresas.
Fonte: infomoney.com.br
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