Os Estados Unidos e o Irã estão em um momento crítico que pode levar a um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, um ponto estratégico para o comércio marítimo global. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que um entendimento pode ser alcançado em breve, o que impactou o preço do petróleo, que caiu mais de 5% em meio a expectativas de uma resolução.
De acordo com o Bradesco BBI, a crise entre os dois países pode estar se aproximando de uma solução, impulsionada por fatores políticos em vez de militares. As eleições legislativas nos EUA, marcadas para novembro de 2026, criaram um novo contexto que pode favorecer uma saída diplomática.
A análise do banco, baseada em conversas com o consultor Hagai Segal, destaca que o Irã busca garantias políticas e econômicas antes que sua influência sobre o comércio marítimo diminua. Além disso, a liderança da Guarda Revolucionária Islâmica está se tornando mais jovem e radical, o que pode influenciar as decisões em Teerã.
Um aspecto importante é a mudança na estratégia do Irã, que agora está mirando rotas alternativas de exportação de petróleo, como o sistema Sumed, no Egito. Essa nova abordagem visa aumentar os custos logísticos dos exportadores da região e manter a influência iraniana sobre os fluxos de energia.
Os analistas do BBI também alertam para a pressão crescente sobre os estoques globais de petróleo, que podem atingir níveis críticos no final do ano. A combinação de dificuldades de abastecimento fora do Oriente Médio e a pressão sobre os preços do petróleo pode acelerar a necessidade de um acordo.
Outro fator a ser considerado é o papel dos Houthis no Iémen, que podem ser utilizados pelo Irã como uma segunda frente para pressionar o comércio marítimo. Essa situação poderia obrigar os EUA a dividir seus recursos militares, aumentando os riscos para a cadeia global de energia.
Apesar das tensões, há espaço para desescalada. Embora um acordo direto entre Washington e Teerã pareça improvável antes das eleições, negociações intermediadas por países do Golfo podem se intensificar, já que todos enfrentam dificuldades de exportação.
O mercado já demonstrou sensibilidade a avanços diplomáticos, como evidenciado pela correção dos preços do petróleo após um memorando de entendimento entre os dois países. Os analistas acreditam que, em um cenário pós-guerra, os preços podem retornar aos níveis anteriores ao conflito.
Assim, três fatores principais podem impulsionar uma rota de resolução: i) o calendário eleitoral dos EUA, que aumenta a urgência por uma solução; ii) a dificuldade crescente dos países do Oriente Médio em escoar produção; e iii) a queda dos estoques globais de petróleo, que pode pressionar os preços e incentivar uma solução diplomática.
Fonte: infomoney.com.br