Em um contexto de intensificação das mudanças climáticas, a escassez de água pode ser mais prejudicial à sobrevivência das plantas do que o aumento da temperatura global. Essa conclusão é resultado de um estudo internacional que envolveu a colaboração de pesquisadores brasileiros e foi publicado na revista Nature.
A pesquisa, que analisou a sobrevivência de diversas espécies vegetais ao longo de sete décadas, enfatiza que a prioridade para as plantas é a sobrevivência ano após ano, em vez de focar apenas no crescimento e na produção de sementes.
Gabriel Santos, um dos autores do estudo, destaca que uma nova ferramenta foi desenvolvida para medir a resposta das plantas às variações ambientais. A pesquisa revela que a dinâmica entre o gasto de energia para sobreviver e o gasto para reproduzir impacta diretamente a sobrevivência das espécies. Características como raízes mais longas e a capacidade de armazenar água são mais cruciais do que a quantidade de sementes produzidas.
Essas descobertas podem orientar estratégias de conservação ambiental. Santos sugere que a proteção de corpos d’água e o uso de mudas mais desenvolvidas para reflorestamento podem aumentar as chances de recuperação das plantas. “Sobrevivência é mais importante do que reprodução”, afirma o pesquisador, indicando que o foco deve ser em estratégias que priorizem o plantio de mudas maiores, que têm maior taxa de sobrevivência.
Além disso, ele ressalta a necessidade de um monitoramento científico ampliado, especialmente diante de eventos climáticos extremos, para proteger a biodiversidade e aumentar a resiliência das espécies às mudanças climáticas.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br