Legado da primeira medalha paralímpica do Brasil é celebrado em homenagem emocionante

Legado da primeira medalha paralímpica do Brasil é celebrado em homenagem emocionante

O Brasil fez história ao encerrar a Paralimpíada de Paris, em 2024, entre as cinco principais potências do esporte adaptado. Com um total de 462 medalhas conquistadas ao longo das edições, o país celebra um marco significativo que teve início há 50 anos. Em 1976, Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa trouxeram para o Brasil a primeira medalha paralímpica, uma prata no lawn bowls, uma modalidade extinta que se assemelha à bocha.

Recentemente, as medalhas foram expostas no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, em uma homenagem simbólica. Foi em um dia 6 de agosto, em 1976, que Robson e Luiz Carlos iniciaram a contagem de pódios do Brasil nas Paralimpíadas, em Toronto, no Canadá.

“É o resgate de uma história que não era contada. Se hoje temos tudo isso [no esporte paralímpico], com televisão, entrevistas, esse momento de comemoração, é porque alguém lá no passado lutou para que isso acontecesse”, afirmou Noêmia Almeida, sobrinha de Robson, em entrevista à Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Noêmia, que foi criada como filha por Robson, acompanhou de perto sua trajetória. O medalhista paralímpico fundou o Clube do Otimismo, no Rio de Janeiro, em 1958, após um acidente que o deixou paraplégico. Com a indenização recebida, Robson criou a instituição para apoiar pessoas com deficiência sem recursos para reabilitação.

“Naquela época, o paradesporto não era uma política pública, então, ele tinha que buscar ajuda de deputados e pessoas influentes para conseguir apoio, como uniformes e passagens para representar o Brasil”, lembrou Noêmia.

Homenagem no Centro de Treinamento Paralímpico
Noêmia Almeida (sobrinha de Robson Sampaio de Almeida), Yohansson Nascimento (vice-presidente do CPB) e Paulo Robson de Almeida (sobrinho de Robson Sampaio de Almeida), em homenagem no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo – Foto: Marcello Zambrana/CPB

Luiz Carlos, um dos atendidos pelo Clube do Otimismo, desenvolveu uma forte amizade com Robson. Com 79 anos e em tratamento de Alzheimer, ele também fez parte dessa história. “Eles sempre formaram uma dupla dinâmica no esporte. Meu tio foi o primeiro cestinha brasileiro no basquete em cadeira de rodas, e Luiz Carlos sempre esteve ao seu lado”, recordou Paulo Robson de Almeida, sobrinho de Robson.

“Luiz Carlos também trabalhava com técnicas para recuperação das rodas das cadeiras e sempre dava apoio técnico nas competições internacionais”, completou Paulo.

Robson e Luiz Carlos foram a Toronto para competir no basquete em cadeira de rodas, mas acabaram convidados para o lawn bowls, onde conquistaram a medalha de prata. “Robson já tinha experiência com o boliche tradicional, o que ajudou muito na competição”, disse Paulo.

A trajetória do Brasil nas Paralimpíadas mudou significativamente desde 1976. O Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) foi fundado em 1995 e, em 1998, passou a ser reconhecido oficialmente como parte do Sistema Nacional do Desporto. Essa evolução permitiu o financiamento do esporte paralímpico, com a distribuição de recursos das loterias federais.

O CT Paralímpico, inaugurado em 2016, é uma das principais estruturas esportivas do Brasil e um legado dos Jogos do Rio de Janeiro. O centro não apenas melhorou os resultados do Brasil nas Paralimpíadas, mas também se tornou um polo de formação de atletas com deficiências, oferecendo programas gratuitos para jovens de 7 a 17 anos.

“Robson lutou para que as empresas admitissem pessoas com deficiência. O que estamos comemorando é a realização de um sonho, e a luta dele é a de todos nós”, concluiu Noêmia.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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