Brasil registra 81 tornados e pode superar recorde histórico até dezembro

Brasil registra 81 tornados e pode superar recorde histórico até dezembro

O Brasil já contabilizou 81 tornados até julho deste ano, segundo a Prevots, Plataforma de Registro e Observadores de Tempestades Severas. Este número, que pode ultrapassar o recorde de 92 tornados registrados em 2022, reflete um aumento significativo na frequência desses fenômenos meteorológicos no país.

Entre 2018 e 2025, a quantidade de tornados no Brasil cresceu de forma gradual. Contudo, a relação entre esse aumento e as mudanças climáticas ainda não é conclusiva. Os pesquisadores apontam que a maior capacidade de registro por parte da população, com o uso de celulares, contribui para essa elevação nos dados.

O Brasil é considerado o segundo país mais propenso a tornados, atrás apenas dos Estados Unidos. As condições climáticas, especialmente na Região Sul, favorecem a formação de supercélulas, um tipo de tempestade severa que pode gerar tornados. Essas supercélulas são caracterizadas por ventos intensos e granizo, e podem criar colunas de ar em rotação que se estendem até o solo.

O meteorologista Vitor Castilho, da Universidade Federal de Pelotas, explica que as supercélulas se formam em situações onde há uma diferença de temperatura entre massas de ar quentes e frias. Essa dinâmica é fundamental para a formação de tornados.

O Sul do Brasil é uma área de encontro de massas de ar, o que aumenta a probabilidade de tempestades severas. O tornado mais recente causou ferimentos em quatro pessoas e danos significativos em municípios do Rio Grande do Sul.

Atualmente, prever a localização exata onde um tornado tocará o solo é desafiador. No entanto, meteorologistas conseguem antecipar a chegada de tempestades severas com alguns dias de antecedência. Murilo Lopes, da Universidade Federal de Santa Maria, destaca a importância do monitoramento das condições atmosféricas para prever essas tempestades.

Os radares meteorológicos são essenciais para a previsão de curto prazo, permitindo detectar tempestades formadas e identificar sinais de rotação que podem indicar a presença de tornados. Contudo, os pesquisadores alertam que os radares brasileiros precisam de modernização e ampliação para melhorar a eficiência dos alertas à população.

Além disso, a falta de preparação das cidades para eventos meteorológicos extremos é uma preocupação. Castilho sugere a construção de abrigos subterrâneos e a instalação de sirenes de emergência, além de treinamento para equipes de Defesa Civil.

Os pesquisadores também alertam que o fenômeno do super El Niño pode intensificar as tempestades na Região Sul, aumentando a probabilidade de tornados. A recomendação é que a população fique atenta às previsões meteorológicas e siga as orientações da Defesa Civil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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