PLAINVIEW, Nova York — Teddy Haggerty está ciente do enorme desafio que enfrenta ao tentar fabricar robôs humanoides nos Estados Unidos. Desde 2022, Haggerty atuou como distribuidor da Unitree Robotics, uma empresa chinesa líder na produção de robôs humanoides, o que lhe proporcionou uma visão privilegiada de um setor dominado por fabricantes chineses que operam com custos significativamente mais baixos.
“Na China, esses robôs já andam pelas ruas”, afirmou Haggerty. “Eles têm muito mais experiência do que nós.” Em um galpão em Long Island, Haggerty, de 30 anos, tenta realizar uma tarefa que parece quase impossível: produzir robôs humanoides nos EUA. Sua nova empresa, a Robo Inc., reflete sua trajetória como empreendedor serial, que já explorou diversas tendências de mercado, desde drones até equipamentos de proteção durante a pandemia.
O desafio de Haggerty é ainda mais complicado pela dominação chinesa na cadeia global de suprimentos. Ele planeja adquirir componentes de várias partes do mundo e fabricar alguns internamente, mas a realidade é que a China controla quase toda a cadeia de suprimentos necessária para a produção de robôs.
“Fabricar um robô totalmente livre de componentes chineses não é viável”, disse Haggerty. Tentativas de eliminar a China das cadeias de fornecimento resultaram em produtos muito mais caros. Muitas vezes, é mais sensato importar componentes como baterias e estruturas de alumínio.
Seu escritório em Plainview abriga uma oficina com robôs em desenvolvimento. Uma pequena equipe de engenheiros trabalha na adaptação de robôs humanoides e quadrúpedes para setores como armazéns e saúde. Haggerty encontra-se em um ponto crítico entre a pressão de Washington por mais produção doméstica e a realidade de um mercado global fragmentado, onde as empresas chinesas continuam dominando.
A corrida pela liderança em inteligência artificial e robótica entre EUA e China se intensificou. Recentemente, a Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC) anunciou a proibição da importação de novos modelos de robôs humanoides fabricados no exterior, embora a medida não mencione explicitamente a China.
A tecnologia de robôs humanoides ainda está em seus estágios iniciais, mas defensores acreditam em um futuro onde esses robôs serão comuns em tarefas como limpeza doméstica e monitoramento de pacientes. No entanto, a fabricação de robôs nos EUA permanece limitada, com poucas unidades sendo produzidas anualmente.
A indústria chinesa, apoiada por bilhões em investimentos estatais, já produziu cerca de 10 mil robôs, enquanto as principais empresas americanas fabricaram apenas algumas centenas. A mão de obra americana é mais cara e muitos componentes essenciais, como lítio e alumínio, dependem da China.
Brad Porter, CEO da Cobot, destacou que a velocidade de obtenção de componentes na China é um fator crítico. “Se você está na China e precisa de um componente, consegue imediatamente. Nos EUA, pode levar dias”, afirmou.
A utilidade dos robôs humanoides ainda é debatida, e mesmo executivos reconhecem que humanos são mais eficientes em ambientes complexos. Embora empresas chinesas liderem a fabricação, nenhuma demonstrou uma aplicação transformadora para a tecnologia até agora.
Com a crescente competição, a necessidade de apoio financeiro e político para os fabricantes americanos se torna evidente. A indústria de robótica nos EUA precisa evoluir rapidamente para não ficar para trás na corrida global.
Fonte: infomoney.com.br