Com dívida de R$ 140 milhões, Marabraz recorre à justiça para reestruturar suas operações

Com dívida de R$ 140 milhões, Marabraz recorre à justiça para reestruturar suas operações

A rede de móveis e eletrodomésticos Marabraz protocolou, no último sábado (15 de agosto de 2026), um pedido de recuperação judicial. O processo está sendo analisado na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo.

O pedido envolve um passivo de R$ 140,188 milhões e abrange cinco empresas ligadas à operação da rede. As informações foram obtidas pela Times Brasil.

A Marabraz declarou que enfrenta dificuldades financeiras e de liquidez, mas assegura que sua atividade comercial continua viável. O objetivo do processo é reorganizar as dívidas e garantir a continuidade dos negócios, com as lojas permanecendo abertas.

Empresas envolvidas no pedido

O pedido de recuperação judicial inclui as seguintes empresas:

  • Comercial de Móveis Jordanésia;
  • S.V.C. Jaraguá Comercial;
  • Comercial Móveis das Nações;
  • Comercial Zena Móveis;
  • Monta Móveis Prestadora de Serviços.

De acordo com a petição, as empresas estão sob controle comum e compartilham praticamente os mesmos sócios. A defesa da Marabraz argumenta que mais de 1.000 ações trabalhistas foram movidas contra diversas empresas do grupo, justificando a inclusão das cinco sociedades no mesmo processo de recuperação.

Desafios financeiros e disputas familiares

A Marabraz atribui parte de suas dificuldades à ruptura de uma estrutura patrimonial que foi mantida por décadas pela família controladora. Imóveis comerciais e centros de distribuição estavam registrados em nome de uma holding familiar, utilizados como garantias em operações de crédito. A interrupção desse arranjo, devido a disputas familiares e societárias, resultou na perda das garantias, levando os bancos a reduzir limites de crédito e aumentar os custos das operações.

Além disso, a empresa menciona fatores como juros elevados, endividamento, retração do consumo, aumento da inadimplência e mudanças provocadas pela digitalização do comércio como pressões adicionais sobre suas finanças.

Pedidos à Justiça

A Marabraz solicitou uma decisão provisória para impedir o bloqueio ou a retenção de recursos financeiros, além de suspender medidas de cobrança contra as empresas envolvidas no processo. A empresa também pediu a manutenção de serviços essenciais para o funcionamento das lojas, como:

  • energia elétrica;
  • abastecimento de água;
  • telefonia;
  • sistemas de tecnologia;
  • processamento de pagamentos por cartão.

O grupo busca ainda proteção temporária contra ações de despejo, com o intuito de manter os estabelecimentos em funcionamento ou permitir a retirada de mercadorias e equipamentos dos imóveis alugados.

Documentação contábil em falta

As empresas não apresentaram inicialmente toda a documentação contábil exigida para o processo de recuperação judicial. A Marabraz informou que os dados oficiais ficaram indisponíveis após a interrupção dos serviços da empresa responsável pelo sistema de registros financeiros do grupo, e que pretende apresentar os documentos em até 30 dias após o restabelecimento do sistema.

Enquanto isso, foram anexados ao processo relatórios gerenciais com as informações disponíveis.

História da Marabraz

A origem do grupo remonta à década de 1950, quando o libanês Abdul Hamid Mohamad Fares chegou ao Brasil e começou a trabalhar como mascate em São Paulo. Em 1965, ele fundou a Credi-Fares, a primeira loja de móveis da família. Após sua morte em 1978, os filhos assumiram os negócios, e a marca Lojas Marabraz foi adquirida em 1986. A rede chegou a contar com 135 unidades na região metropolitana de São Paulo, na Baixada Santista, no Vale do Paraíba e no interior paulista.

Posicionamento da empresa

Em nota ao Poder360, a Marabraz confirmou o pedido de recuperação judicial e reafirmou sua intenção de continuar em operação. A empresa destacou que, ao longo de mais de cinco décadas, construiu sua trajetória no varejo brasileiro pautada por valores inegociáveis, como respeito e dedicação a clientes, fornecedores e funcionários.

O comunicado enfatiza que a medida visa preservar a continuidade das atividades e que o processo terá como prioridades a preservação de empregos e a manutenção das relações construídas ao longo de sua história.

Fonte: poder360.com.br

Mais recentes

PUBLICIDADE