O general da reserva Sergio Etchegoyen, ex-ministro-chefe do GSI durante o governo Michel Temer, destacou a importância de uma abordagem abrangente sobre a segurança do voto eletrônico. Em entrevista à CNN Brasil, ele argumentou que a discussão não deve se limitar à urna, mas abranger todo o processo eleitoral.
Etchegoyen afirmou que não questiona a confiabilidade da urna, mas expressou preocupações sobre a capacidade da sociedade em verificar e confirmar todas as etapas do sistema eleitoral. “Eu não questiono a confiabilidade da urna, até não tenho capacidade, do sistema como todo”, declarou, enfatizando que a atenção excessiva à urna é equivocada, já que esta representa apenas o último passo de um processo complexo.
Riscos em cada etapa do processo eleitoral
O ex-ministro mencionou diversas etapas críticas, como a aquisição dos equipamentos, armazenamento, processamento, transporte e programação. Ele ressaltou que cada uma dessas fases apresenta riscos que devem ser considerados. “Todos esses processos, todo esse processo que é longo, ele apresenta em cada momento riscos, como todos os processos”, afirmou.
A responsabilidade do poder público
Etchegoyen defendeu que o poder público tem a responsabilidade de demonstrar a confiabilidade do sistema eleitoral. “A administração pública tem que demonstrar que é confiável e o demonstrar que é confiável é achar uma solução que a pessoa possa conferir, possa recontar”, comentou. Para ele, a confiança não deve ser imposta, mas sim conquistada através de mecanismos de verificação.
Comparação com instituições financeiras
Em sua análise, o general comparou a situação à operação de um banco, questionando a aceitação de uma instituição que não fornecesse extratos, mesmo afirmando ter um sistema de segurança robusto. “Quem abriria a conta nele? Não é uma questão de desconfiar, é uma necessidade de confirmar o que está fazendo”, explicou.
Propostas para melhoria do processo
Embora tenha enfatizado a necessidade de mecanismos de verificação, Etchegoyen deixou em aberto como esses poderiam ser implementados, afirmando que os técnicos saberão como fazê-lo. Sua posição, segundo ele, não é uma acusação contra o processo eleitoral, mas uma solicitação por maior transparência e confiabilidade.
Fonte: cnnbrasil.com.br