Uma tragédia ocorreu na fronteira do Himalaia, entre o Nepal e o Tibete, quando uma parede de lama e rocha desabou sobre um rio, resultando em inundações devastadoras. O incidente, que aconteceu na quarta-feira, 26 de agosto de 2026, resultou na morte de pelo menos 17 pessoas e deixou 384 desaparecidos, conforme relatado pela CNN.
De acordo com a Reuters, entre os desaparecidos estão 105 indianos, 93 nepaleses, 3 cidadãos norte-americanos e 12 britânicos, além de cerca de 8 sul-coreanos. Autoridades locais temem que o número de vítimas possa ser ainda maior.
As consequências do deslizamento foram severas, com casas, estradas e projetos de energia destruídos. No lado chinês, as autoridades do Tibete expressaram preocupação com o número de vítimas, especialmente no condado de Gyirong, onde pessoas estão desaparecidas após o deslizamento atingir uma passagem de fronteira.
Inicialmente, especulou-se que um terremoto na região poderia ter desencadeado a avalanche. O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, mencionou essa possibilidade no Parlamento. O GFZ (Centro Alemão de Pesquisa em Geociências) confirmou um terremoto de magnitude 4,4, ocorrido pouco antes do deslizamento, mas a causa exata ainda não foi determinada.
Qianggong Zhang, especialista em riscos climáticos, indicou que uma avalanche de gelo e rochas no rio Lhende Khola pode ter sido o gatilho, embora a causa permaneça incerta. Ele alertou para a possibilidade de uma nova inundação, devido a um bloqueio no rio acima da fronteira.
Resgate e impactos na região
As operações de resgate enfrentaram dificuldades, com helicópteros não conseguindo pousar nas áreas afetadas de Syapru Besi e Timure, no distrito de Rasuwa, que abriga cerca de 50 mil habitantes. O nível do rio estava acima do normal, complicando ainda mais as ações de socorro.
A agência de notícias chinesa Xinhua relatou que o deslizamento ocorreu no lado nepalês e afetou o porto de Gyirong, interrompendo estradas e comunicações. Pelo menos 574 socorristas foram mobilizados para a passagem terrestre de Gyirong, mas o acesso foi dificultado por sedimentos que bloqueavam as vias.
Alertas de inundação foram emitidos nos estados indianos de Uttar Pradesh e Bihar, que fazem fronteira com o Nepal. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, declarou que Nova Délhi está pronta para oferecer assistência humanitária, enquanto equipes dos dois países coordenam os esforços de resgate.
O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, informou que policiais e militares estão envolvidos nas operações de resgate, recomendando a evacuação de pessoas em áreas de risco. Ele destacou a necessidade de cautela para aqueles que vivem ao longo do rio.
O rio Bhote Koshi, que se origina no Tibete, deságua no rio Trishuli, no Nepal, e flui para a Índia como o rio Gandak. No ano anterior, uma enchente nesse mesmo rio resultou em 9 mortes e 24 desaparecidos, além de danos significativos à infraestrutura, incluindo uma ponte que conecta o Nepal à China.
Fonte: poder360.com.br