O Brasil possui uma notável capacidade de atrair dólares, o que explica a resistência do real mesmo em meio a preocupações com as contas públicas. Essa análise foi feita por Luis Stuhlberger, investidor e gestor do Fundo Verde, que destacou a força das exportações e a entrada de investimentos estrangeiros como fatores que aliviam a pressão sobre o câmbio.
Em entrevista ao programa Ponto de Vista, do Nubank com a InvestNews, Stuhlberger declarou que o Brasil é uma “máquina de produzir dólar”. O programa foi gravado em 3 de agosto e publicado em 27 de agosto de 2026.
Dólares superam déficit
Os dados mais recentes do Banco Central corroboram a avaliação de Stuhlberger. Em julho, o déficit em transações correntes acumulado em 12 meses chegou a US$ 62,9 bilhões, equivalente a 2,4% do PIB. No mesmo período, o Investimento Direto no País (IDP) somou US$ 88,4 bilhões, representando 3,5% do PIB. Isso significa que o Brasil recebeu mais dólares em investimentos diretos do que o necessário para cobrir o déficit de suas transações externas, ajudando a financiar as contas e a reduzir a pressão sobre o câmbio, mesmo em um cenário fiscal desafiador.
A balança comercial também contribui para a entrada de dólares. Em julho, o Brasil registrou um superávit de US$ 6,2 bilhões, com exportações de US$ 34,2 bilhões e importações de US$ 28,1 bilhões. Em junho, as exportações atingiram um recorde de US$ 36,4 bilhões, conforme os dados do Banco Central.
Arrecadação
Stuhlberger criticou o nível de arrecadação do país, afirmando que “não existe emerging market com arrecadação nesse nível”. Para ele, o Brasil já cobra uma parcela elevada da renda da economia em impostos, o que limita a possibilidade de aumentar ainda mais a arrecadação sem pressionar empresas e consumidores.
O dado mais recente do Tesouro Nacional, referente ao ano de 2025, indica que a carga tributária bruta do governo geral foi de 32,40% do PIB, o maior nível desde 2010. Esse cálculo considera União, Estados e municípios.
“Economia zumbi”
Stuhlberger também descreveu a economia brasileira como “zumbi”, em virtude da quantidade de empresas endividadas que continuam operando enquanto renegociam suas dívidas. Ele observou que as regras de recuperação judicial permitem que essas empresas mantenham suas operações, mesmo diante de dívidas com bancos e o Fisco, priorizando despesas essenciais como aluguel e fornecedores.
Endividamento
O presidente do Banco Central, Campos Neto, trouxe uma perspectiva comparativa sobre o endividamento das famílias. Ele destacou que, ao contrário da crise de crédito durante o governo Dilma, quando o estresse estava mais concentrado nas empresas, o endividamento atual está mais relacionado às pessoas físicas e à classe média. Esse cenário ocorre em um mercado de trabalho ainda aquecido, com a taxa de desemprego em 5,4%, o menor nível para o período desde 2012, e a população ocupada alcançando 103,1 milhões, um recorde.
Fonte: poder360.com.br