Um estudo da Scanntech Brasil aponta que o uso do GLP-1 pode resultar em uma redução de 0,49% no volume total de alimentos vendidos em supermercados. As bebidas devem sofrer uma queda de 0,91%, os perecíveis embalados de 0,66% e a mercearia de 0,53%.
Categorias como cervejas, petiscos, snacks, chocolates e biscoitos estão entre as mais afetadas por essa mudança no comportamento do consumidor.
Priscila Ariani, diretora de marketing da Scanntech Brasil, observa que o GLP-1 não apenas criou, mas acelerou a tendência de consumo saudável. “O GLP não é um provocador de uma onda de saudabilidade, ele é um catalisador”, afirma.
Antes da introdução do GLP no mercado, já se observava um crescimento nas categorias ligadas à saúde e práticas esportivas, mas sua chegada intensificou esse movimento.
Em resposta a essas mudanças, os fabricantes estão investindo em produtos proteicos, reformulações e novas embalagens focadas na construção de massa muscular.
Ariani destaca que o perfil do usuário de GLP é de um consumidor intenso, que tende a consumir mais do que a média em categorias como cerveja e produtos indulgentes. “O usuário de GLP é um heavy user das categorias”, explica.
Embora o percentual de usuários ainda seja pequeno, o impacto nas vendas é significativo. Atualmente, 14% da população brasileira já utiliza ou utilizou o medicamento, e considerando aqueles que convivem com esses usuários, o “efeito halo” alcança 21%.
Com a queda da patente da semaglutida, um dos principais medicamentos GLP-1, e a chegada de versões genéricas ao mercado, espera-se uma transformação ainda mais intensa no cenário.
A pesquisa da Scanntech Brasil revela que 37% dos 86% da população que ainda não utiliza o medicamento demonstraram alta probabilidade de uso caso os preços diminuam. Com isso, o alcance potencial pode chegar a 46% da população.
“Estamos falando de um aumento de 14% para 46% da população”, afirma Priscila Ariani, destacando que esse número representa um teto potencial sem um prazo definido para ser alcançado.
A especialista também ressalta a existência de um mercado informal robusto de GLP-1 no Brasil, com doses aplicadas em clínicas de estética e produtos provenientes do Paraguai. Antes da queda da patente, estimava-se que 55% das doses consumidas eram informais, enquanto apenas 45% eram formais.
Após a queda da patente, essa proporção se inverteu, com as doses formais passando a representar 17% a mais do que as informais. “Parte dessa queda de patente é uma formalização do consumo”, avalia Ariani.
Ela e o entrevistador enfatizaram a importância de os consumidores buscarem apenas produtos regulamentados e aprovados pela Anvisa, evitando medicamentos contrabandeados ou sem a devida fiscalização.
Fonte: cnnbrasil.com.br
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