Idosos doadores vivos de órgãos podem ajudar familiares e outras pessoas, desde que passem por uma avaliação médica rigorosa. O Setembro Verde reforça a importância da doação de órgãos e mostra que a idade, isoladamente, não impede o procedimento. Em 2023, Arivaldo Sampaio, então com 69 anos, enfrentou a difícil situação de ver seu filho perder a função do único rim após sessões de hemodiálise. Com o transplante como única solução, toda a família se ofereceu como possível doadora, incluindo Arivaldo, que teve a felicidade de descobrir a compatibilidade total entre ele e seu filho.
Segundo o Ministério da Saúde, um doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula ou parte dos pulmões, sendo necessária a compatibilidade sanguínea em todos os casos.
Para realizar a doação em vida, o médico deve avaliar a história clínica do doador e suas condições de saúde, mas a idade não é um impedimento. Arivaldo expressou sua alegria ao descobrir a compatibilidade: “Esse momento, para mim, foi um momento de graça. Foi uma graça divina mesmo”, afirmou.
Após a doação, Arivaldo teve uma recuperação tranquila, acompanhada por uma equipe médica qualificada. Ele compartilha que, três anos depois, mantém uma rotina de exercícios físicos, incluindo corrida e musculação, e realiza consultas anuais no Hospital Universitário de Brasília (HUB), onde ocorreu o transplante. “Quando você procura se cuidar, consegue chegar a uma idade mais avançada com qualidade de vida”, ressalta.
Dados sobre doação de órgãos no Brasil
Em 2025, o Brasil registrou 4.335 doadores efetivos, uma taxa de 20,3 doadores por milhão de pessoas, o maior número já registrado. Apesar disso, 49,4 mil brasileiros ainda aguardam por transplantes, conforme dados do Sistema Nacional de Transplantes.
A legislação brasileira permite a doação entre parentes de até quarto grau e cônjuges sem necessidade de autorização judicial. Para doações entre pessoas sem grau de parentesco, é necessária autorização judicial.
5 cuidados para idosos doadores vivos
Na avaliação de idosos doadores vivos, a equipe de transplantes analisa cada caso individualmente. Cinco pontos recebem atenção especial:
- Compatibilidade sanguínea: confirma se doador e receptor são compatíveis para o procedimento.
- Função renal: exames de sangue, urina e imagem verificam a saúde dos rins.
- Saúde cardiovascular: a avaliação identifica riscos relacionados à cirurgia e à recuperação.
- Doenças crônicas: hipertensão, diabetes e outras condições precisam ser investigadas com cuidado.
- Qualidade de vida: os médicos avaliam se o doador poderá permanecer saudável após a retirada do órgão.
Esses cuidados ajudam a proteger tanto o doador quanto o receptor. Para idosos doadores vivos, a decisão depende do estado geral de saúde, dos resultados dos exames e da análise da equipe especializada, não apenas da idade registrada nos documentos.
Avaliação médica de idosos doadores vivos
O médico nefrologista da Unidade de Transplantes do HUB, Geraldo Freitas, explica que a avaliação para doadores vivos é minuciosa, visando garantir a segurança tanto do doador quanto do receptor. “Trata-se de uma pessoa saudável que decide doar um de seus órgãos de forma voluntária e altruísta. Nosso objetivo é minimizar os riscos e assegurar que o doador mantenha sua saúde após a doação”, afirma Freitas.
Quando o doador tem mais de 60 anos, a análise é ainda mais cuidadosa, considerando os riscos potenciais. A avaliação inclui exames de sangue, urina, função renal, exames de imagem e avaliação cardiovascular. “Com o envelhecimento, aumenta a possibilidade de doenças como hipertensão e diabetes, que podem elevar os riscos da cirurgia e da doação”, alerta o médico.
A decisão sobre a doação é baseada não apenas em dados, mas também no estado geral de saúde do doador e na expectativa de vida. É essencial garantir que o doador possa viver de forma saudável com um único rim, além de avaliar as condições do órgão a ser doado.
Freitas enfatiza que a idade avançada não exclui automaticamente a possibilidade de doação, desde que o doador esteja saudável e apto para o procedimento. “Quando as doenças estão ausentes e a função renal é adequada, a pessoa pode ser uma doadora”, conclui.
O caso reforça que idosos doadores vivos podem participar de transplantes com segurança quando aprovados pela equipe médica. Veja também outros conteúdos de saúde do Giro Total Online.
Fonte: eshoje.com.br