O prefeito de Baixo Guandu, Lastênio Luiz Cardoso, se pronunciou sobre a decisão da Justiça Eleitoral que resultou em seu afastamento do cargo nesta segunda-feira (19). Ele é alvo de investigações pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de coação eleitoral. Em sua nota, Lastênio destacou que a decisão é temporária e não implica em condenação ou cassação de seu mandato.
O afastamento ocorreu durante a Operação 1932, que visa investigar o uso indevido do cargo público para pressionar servidores municipais a votarem em um candidato específico no segundo turno das Eleições 2026.
A investigação teve início após a divulgação, em 10 de outubro, de um vídeo onde o prefeito mencionou a possibilidade de demitir cerca de 700 servidores comissionados, dependendo do resultado eleitoral.
A Polícia Federal também investiga a relação entre a manutenção de obras e serviços municipais e o resultado das eleições, além do uso de eventos públicos para promover propaganda eleitoral.
Lastênio afirmou que seu afastamento está previsto até 26 de outubro de 2026, dia seguinte ao segundo turno das eleições. “Essa decisão não representa condenação nem cassação do meu mandato. Uma investigação não pode ser confundida com uma conclusão de culpa”, declarou.
O prefeito se comprometeu a apresentar sua defesa no processo, ressaltando que respeitará a decisão judicial e que os esclarecimentos sobre a investigação serão feitos nos meios legais. “Não abrirei mão de defender minha honra e esclarecer os fatos, mas farei isso com respeito à Justiça”, afirmou.
Proibição de acesso à prefeitura
Durante a operação, a PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão e um mandado de busca pessoal. O Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) autorizou essas ações após parecer favorável da Procuradoria Regional Eleitoral.
Além do afastamento, a Justiça Eleitoral proibiu Lastênio de acessar as dependências da prefeitura. Materiais de campanha eleitoral foram apreendidos durante as buscas e serão submetidos a análise pericial.
Os fatos estão sendo investigados como possíveis crimes de coação eleitoral por servidor público e uso de serviços públicos em benefício de organização política, conforme previsto no Código Eleitoral.
Nota do prefeito
“Diante das notícias e publicações que estão circulando nas redes sociais sobre meu afastamento temporário da Prefeitura, quero falar diretamente com a população. Entendo a preocupação das pessoas e, por respeito a cada guanduense, considero fundamental esclarecer o que foi determinado.
A decisão foi tomada pela Justiça Eleitoral, em uma investigação sobre fatos de natureza eleitoral. Trata-se de uma medida cautelar, ou seja, temporária. Essa decisão não representa condenação nem cassação do meu mandato. Uma investigação não pode ser confundida com uma conclusão de culpa.
O afastamento tem prazo expressamente fixado: 26 de outubro de 2026, inclusive, dia seguinte ao segundo turno das eleições. Portanto, a medida alcança este período eleitoral e tem término previsto para logo após a votação.
Respeitarei a decisão e apresentarei minha defesa com firmeza e responsabilidade. Em razão do sigilo do processo, os esclarecimentos sobre a investigação serão prestados nos meios legais. Não abrirei mão de defender minha honra e de esclarecer os fatos, mas farei isso com respeito à Justiça, sem alimentar confrontos ou julgamentos precipitados nas redes sociais.
À população, peço serenidade. Baixo Guandu está acima de qualquer disputa política, e a prioridade deve ser preservar os serviços públicos e o atendimento às pessoas. Enfrentarei este momento de cabeça erguida, com confiança no direito de defesa e no esclarecimento dos fatos.
Meu compromisso com Baixo Guandu e com a nossa gente permanece firme.”
Lastênio Luiz Cardoso, prefeito de Baixo Guandu.
Fonte: folhavitoria.com.br