A militância bolsonarista adotou uma nova estratégia nas plataformas digitais após a vitória do presidente Lula nas urnas, substituindo os antigos acampamentos em frente a quartéis militares por interações em massa nas redes sociais do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Radiografia da mobilização digital Os dados foram obtidos por meio de uma pesquisa conduzida pela Ativaweb DataLab, que examinou 1 234 989 menções, englobando comentários e curtidas no Instagram e Facebook, além de uma análise qualitativa focada em sete postagens do perfil do líder norte-americano feitas no dia 29 de outubro.
O levantamento detalha que 34,1% das interações consistiam em pedidos de socorro, o equivalente a 33,4% do total de curtidas contabilizadas. As teses de fraude eleitoral e instalação de uma ditadura somaram quase 8% das mensagens e 9,2% das curtidas, enquanto iscas de engajamento, como enquetes para atrair cliques, alcançaram 7,4% dos comentários e concentraram 40% das curtidas.
Estratégia de contagem e engajamento algorítmico Para o CEO da Ativaweb DataLab, Alek Maracajá, o levantamento demonstra que a reação bolsonarista nas redes indica uma continuidade da mobilização política, na qual a curtida funcionaria simbolicamente como voto. “Ninguém ali está conversando com Trump. Estão fazendo uma contagem pública de cabeças, e a curtida é o voto que eles sentem que perderam na urna”, explica o cientista de dados.
O relatório aponta ainda indícios de inautenticidade digital nessa transição do ativismo físico para o meio virtual, identificando perfis sinalizados por inteligência artificial e quedas bruscas de curtidas, o que sugere uma ação coordenada para pressionar o cenário internacional contra o resultado brasileiro. “Quando as palavras mais usadas são SOS e Help, não há debate. Há um pedido de resgate a quem não tem jurisdição sobre a urna brasileira”, completa Maracajá.
Conclusão e repercussão internacional Por fim, a investigação da Ativaweb DataLab conclui que a atuação em rede demonstra a consolidação de uma dinâmica global de contestação eleitoral, onde grupos buscam o envolvimento de potências estrangeiras para interferir em processos democráticos internos.
Fonte: veja.abril.com.br/politica