O mercado financeiro reagiu com queda na bolsa e alta do dólar após a vitória que garantiu a Luiz Inácio Lula da Silva o seu quarto mandato presidencial, impulsionando debates sobre o rumo das contas públicas nos próximos anos.
Expectativas do mercado financeiro Com projeções de inflação em alta e estimativas de crescimento econômico revisadas para baixo, analistas avaliaram inicialmente que o petista não priorizaria o ajuste fiscal. Diante disso, o Banco Central manteve a taxa Selic em patamar elevado, enquanto o governo começou a articular reuniões com ministros e economistas para debater medidas econômicas e garantir a sustentabilidade da dívida pública.
Sem mudanças drásticas na economia Integrantes da equipe econômica têm sinalizado que o país adotará uma transição gradual, afastando a hipótese de mudanças bruscas. A meta é promover um ajuste de dois pontos percentuais do Produto Interno Bruto entre 2027 e 2030, migrando de um déficit para um superávit primário.
O que está sendo avaliado pelo governo As alternativas em estudo no governo incluem um compromisso mais rígido com a meta fiscal, a revisão de subsídios e benefícios tributários, além de novos mecanismos para reforçar o arcabouço fiscal. Entre as propostas recentes, destaca-se o envio de um projeto de lei ao Congresso para fixar o compromisso de atingir o centro da meta fiscal em 2027, o que pode exigir bloqueios orçamentários adicionais para limitar despesas dos ministérios.
Propostas descartadas pela gestão Por outro lado, o governo afastou categoricamente a possibilidade de implementar medidas impopulares defendidas por parte dos economistas. Ficaram totalmente fora de cogitação o fim do aumento real do salário mínimo, a desvinculação de benefícios previdenciários e a extinção de programas sociais.
“Será dada continuidade ao processo de ajuste fiscal iniciado em 2023, que reduziu o déficit em, aproximadamente, 2% do PIB, preservando a fórmula de reajuste do salário mínimo, com ganho real, conforme proposta apresentada e aprovada, bem como as vinculações aplicáveis aos benefícios previdenciários”, informou o ministro Durigan, durante a campanha presidencial deste ano.
Além disso, a administração descartou adotar metas específicas para forçar a redução da taxa de juros e o uso de reservas cambiais para conter eventuais desvalorizações do câmbio.
“Sempre muito atento aos compromissos e ao que foi o resultado da eleição, a gente nunca vai propor medidas que prejudiquem as pessoas mais pobres. Ao contrário, Quando a gente vai fazendo ajustes graduais, vai implementando medidas, olhando para corte de privilégio, retomada de uma série de revisões de benefícios, revisões de gasto primário, a gente dá as condições para que o orçamento seja superavitário e passemos a discutir quais as condições necessárias outras para que a taxa de juros diminua”, disse Durigan.
Fonte: G1 Geral