Apenas 14% dos brasileiros de alta renda se veem ricos apesar de 95% admitirem privilégios

Apenas 14% dos brasileiros de alta renda se veem ricos apesar de 95% admitirem privilégios

Embora 95% dos brasileiros de alta renda reconheçam viver uma condição de privilégio, apenas 14% se consideram efetivamente ricos

A conclusão faz parte de um estudo inédito do Google Brasil, que buscou entender os desejos, medos e hábitos financeiros desse público. Os achados são do estudo “O que desejam os privilegiados: a alta renda brasileira, por ela mesma”, realizado pelo Google Brasil, que ouviu 792 pessoas em todas as regiões do país. A amostra incluiu famílias com renda mensal a partir de R$ 15 mil, alcançando faixas superiores a R$ 50 mil mensais – grupo que representa, no total, cerca de 8% da população brasileira, considerando o critério de renda adotado na pesquisa, segundo o Google.

Os entrevistados responderam a perguntas sobre consumo, investimentos, saúde, família, comportamento digital e perspectivas para o futuro. A pesquisa mostrou que os entrevistados associam o privilégio ao acesso a bens e serviços que permanecem fora do alcance da maior parte da população, como educação privada, planos de saúde e hospitais de qualidade. Já a riqueza aparece ligada à acumulação de patrimônio capaz de proporcionar independência financeira e autonomia para tomar decisões sem depender da renda do trabalho.

Para os entrevistados, “ser rico” significa poder escolher trabalhar apenas com aquilo de que se gosta, mudar de profissão ou até parar de trabalhar sem comprometer o padrão de vida da família. Nesse sentido, foi relevada uma meta a ser atingida para ter tranquilidade no futuro, isto é, um valor de investimento no banco considerado suficiente para justificar parar de trabalhar ou trabalhar apenas com o que gosta: R$ 17 milhões, na média.

“São pessoas que ainda estão construindo e sentem que ainda não chegaram lá”, afirmou Renata Blay, líder de Insights Estratégicos para a Indústria de Finanças no Google Brasil.

A busca por essa independência financeira ajuda a explicar outro comportamento identificado pela pesquisa. Cerca de 72% afirmam guardar dinheiro para atingir a reserva considerada ideal para o futuro e 91% dizem desejar mais tempo livre e autonomia sobre a própria rotina. “Essas pessoas de alta renda estão dizendo para a gente que têm dificuldade de ter tempo para fazer o que gostam”, completa Blay.

Família no centro dos planos – e dos medos

Se a liberdade financeira é o objetivo, a família é um dos principais motivos para persegui-lo. Segundo a pesquisa, 80% dos entrevistados são casados ou vivem em relacionamento e a maioria vive em lares com dois dependentes. Além disso, 84% têm filhos. O estudo aponta ainda que 70% afirmam que seus sonhos são também os sonhos da família. Quando questionados sobre seus principais desejos, muitos relacionam o sucesso financeiro à capacidade de oferecer oportunidades às próximas gerações.

Saúde vira indicador de sucesso

Dos entrevistados, 84% afirmam que saúde é algo que desejam muito ou desejam bastante. Mais do que viver mais, a preocupação está ligada à ideia de preservar a qualidade de vida ao longo do tempo. A pesquisa também identificou diferenças entre homens e mulheres: elas demonstram maior preocupação com reserva financeira, tempo livre, saúde e bem-estar do que os entrevistados do sexo masculino.

Dinheiro ainda gera insegurança

Apesar do elevado poder aquisitivo, o levantamento mostra que o universo financeiro continua sendo um desafio para boa parte da alta renda: 43% dizem ter dificuldade para entender investimentos e 52% nunca receberam educação financeira formal durante a juventude. O resultado ajuda a explicar por que 58% preferem delegar decisões financeiras a especialistas. Segundo os pesquisadores, existe até mesmo entre a alta renda uma espécie de “pedido de ajuda” para compreender melhor o universo dos investimentos.

Fonte: infomoney.com.br

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