ANCORD formaliza apoio à autonomia total do Banco Central em encontro histórico

Gabriel Galípolo, presidente do BC.

Na última sexta-feira (22), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, recebeu um apoio significativo e raro do setor privado em defesa da autonomia financeira da autarquia. O evento ocorreu na sede da ANCORD — Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias —, marcando a primeira vez que um presidente do BC esteve presente na entidade, que representa 90% do volume negociado na B3.

O contexto do encontro foi a PEC 65/2023, proposta que busca garantir não apenas a independência operacional do Banco Central, já assegurada em lei, mas também sua autonomia financeira, administrativa e orçamentária. Para a ANCORD, essa distinção é vital, pois ter liberdade técnica para tomar decisões sem controle orçamentário é considerado uma independência incompleta e vulnerável.

A importância da autonomia financeira

Durante o encontro, Rafael Furlanetti, presidente da ANCORD, enfatizou: “A independência do Banco Central não existe se não houver uma autonomia financeira”. Ele alertou que um orçamento dependente de negociações políticas anuais cria um canal indireto de pressão sobre a autarquia. Furlanetti destacou que o mercado evoluiu e que o Banco Central e outros órgãos de controle precisam de recursos adequados para enfrentar os desafios atuais.

Galípolo reconheceu o apoio recebido e destacou que os avanços recentes foram construídos em diálogo com o mercado, embora o ritmo nem sempre agrade a todos. “Os avanços que estamos conquistando nem sempre são tão lineares ou na velocidade que gostaríamos”, afirmou.

Desafios no mercado de capitais

Embora a autonomia do Banco Central tenha sido o tema central, outro assunto que gerou preocupação foi a operação de CFDs (Contract for Difference) e Forex. Furlanetti comparou essas modalidades de investimento a um jogo de azar digital, alertando sobre os riscos associados. “É o Jogo do Tigrinho do mercado de capitais”, disse ele, referindo-se à atração que essas plataformas exercem sobre os investidores, muitas vezes sem a supervisão necessária.

A ANCORD apontou que essas operações não apenas expõem os investidores a riscos elevados, mas também representam uma exportação de liquidez do mercado nacional para estruturas frequentemente classificadas como fraudulentas. Em 2024, a CVM — Comissão de Valores Mobiliários — já havia derrubado 37 plataformas irregulares no Brasil.

Compromisso com a regulação

Em resposta às preocupações levantadas, Galípolo sinalizou que irá estudar as questões relacionadas a CFDs e Forex, indicando que o tema pode ser incluído na agenda regulatória do Banco Central nos próximos meses. Sua postura dialógica reflete um estilo de gestão que prioriza ouvir os agentes do mercado antes de tomar decisões.

A presença de Galípolo na ANCORD também sinaliza uma aproximação institucional que pode resultar em desdobramentos regulatórios significativos. O encontro reforçou a ideia de que um Banco Central financeiramente autônomo e bem equipado estará em uma posição melhor para fiscalizar e combater as ameaças emergentes ao investidor brasileiro.

Fonte: infomoney.com.br

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