O ministro do Tribunal Superior Eleitoral, André Mendonça, autorizou os candidatos à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, a divulgarem voluntariamente seus dados pessoais sigilosos. A decisão foi tomada na quinta-feira, 22 de outubro de 2026, e não requer autorização prévia da Corte. A divulgação é uma estratégia dos candidatos para aumentar a transparência antes do debate da TV Globo agendado para o dia seguinte.
Lula e Flávio planejam tornar públicos seus dados ainda na quinta-feira, após chegarem a um acordo para abrir seus sigilos fiscal, bancário e telefônico, assim como os de seus familiares. Essa ação visa responder a questionamentos sobre a integridade de suas campanhas e aumentar a confiança do eleitorado.
Em sua decisão, Mendonça destacou que a divulgação não é apenas uma formalidade, mas um ato de vontade dos candidatos, que podem escolher como e quando realizar essa divulgação. Ele enfatizou que a abertura dos sigilos não substitui investigações oficiais, que são essenciais para a apuração de eventuais irregularidades.
O ministro alertou que a divulgação espontânea de dados pessoais não deve ser vista como um substituto para investigações de órgãos de controle. Ele observou que recursos ilícitos frequentemente circulam por contas de intermediários e não diretamente pelos beneficiários, o que pode dificultar a detecção de atividades suspeitas.
“É de conhecimento público que recursos de origem ilícita não transitam pelas contas de seus beneficiários, mas por interpostas pessoas. Portanto, a divulgação voluntária de extratos e declarações, embora legítima, não substitui as investigações conduzidas pelos órgãos competentes”, afirmou Mendonça.
Acordo entre Lula e Flávio para abertura de sigilos
O desafio para a divulgação dos dados foi proposto por Lula durante um debate no segundo turno na Band, realizado no dia 18 de outubro. A defesa do presidente enviou uma autorização ao TSE para a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do petista e de seus familiares, condicionando essa ação à proposta de Flávio em realizar o mesmo.
Na quarta-feira, 21 de outubro, Flávio aceitou a proposta, mas impôs 19 exigências, incluindo a quebra dos sigilos de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e de Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de Gabinete do presidente Lula. O senador também solicitou informações sobre despesas com dinheiro público, especialmente relacionadas à primeira-dama, Janja Lula da Silva.
Fonte: poder360.com.br