O ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, abordou o recente escândalo do banco Master em um debate sobre regulação de mercados, destacando que a questão não se resume a uma falta de regulação, mas sim a uma falha grotesca na sua aplicação.
Fraga afirmou que “não diria que o caso Master foi uma falha de regulação, mas sim uma falha da aplicação de uma regulação. Foi uma falha grotesca”. Ele lamentou as suspeitas de corrupção que surgiram em torno do caso, enfatizando a tristeza da situação.
Impactos do caso Master e lições aprendidas
O ex-presidente do BC ressaltou que o escândalo deixará lições importantes, especialmente em relação ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Ele observou que as garantias oferecidas pelo fundo permitiram que o banco de Daniel Vorcaro captasse recursos a custos baixos, o que, por sua vez, resultou em enormes prejuízos para grandes instituições financeiras com a quebra do banco.
“Acho que este é um tema que terá que ser revisto”, comentou Fraga, referindo-se à necessidade de reavaliar o funcionamento do fundo garantidor.
Propostas para a regulação financeira
Durante sua fala, Armínio Fraga defendeu a consolidação das agências reguladoras financeiras em um novo modelo, conhecido como twin peaks. Esse modelo propõe a criação de duas grandes autoridades reguladoras independentes: uma focada na saúde financeira das instituições e outra na supervisão do comportamento das mesmas.
Ele acredita que essa abordagem poderia simplificar a regulação, tornando-a mais clara e fácil de monitorar. “Não sei se isso seria tão complicado… Pode ser caótico, mas talvez permita uma regulação mais clara ao longo do tempo”, afirmou.
A importância da flexibilidade na regulação
Fraga também destacou que a regulação é essencial para proteger a saúde dos mercados, mas deve ser flexível o suficiente para não inibir a inovação. “Se não houver certo cuidado, ela pode abafar a criatividade e o ímpeto característico dos mercados”, alertou.
Ele mencionou que, em 2002, já percebia a necessidade de colaboração entre diferentes agências reguladoras, como a Secretaria de Previdência Complementar e a Superintendência de Seguros Privados (Susep).
Fonte: infomoney.com.br