Um novo levantamento do MapBiomas revela que a fragmentação de áreas naturais no Brasil aumentou mais de três vezes nas últimas quatro décadas, colocando em risco diversas espécies vegetais e animais. O estudo, divulgado nesta quarta-feira, destaca que a fragmentação se refere ao processo em que o desmatamento divide áreas de vegetação nativa em fragmentos menores e isolados, resultando em “ilhas” de vegetação cercadas por plantações e áreas urbanas.
fragmentação: cenário e impactos
Em 1986, o Brasil contava com 2,7 milhões de fragmentos, número que saltou para 7,1 milhões em 2023. Além do aumento no número de fragmentos, as áreas também estão se tornando cada vez menores. Segundo Dhemerson Conciani, pesquisador e coordenador do módulo de degradação do MapBiomas, essa fragmentação torna as áreas mais vulneráveis à degradação e à extinção de espécies.
“A área de borda, a deriva de agrotóxicos e a suscetibilidade ao fogo são fatores que agravam a situação. O isolamento dos fragmentos dificulta a colonização e o compartilhamento de diversidade genética, aumentando o risco de extinções locais”, explica Conciani.
Os biomas do Pantanal e da Amazônia foram os mais afetados pelo aumento da fragmentação, enquanto o Cerrado e a Mata Atlântica continuam sendo os mais fracionados. No entanto, a Mata Atlântica apresenta uma particularidade: parte dos novos fragmentos corresponde a áreas de recuperação.
“Estima-se que cerca de 18,5% da vegetação nativa da Mata Atlântica seja secundária, resultante do recrescimento da vegetação nativa”, afirma Dhemerson.
A reversão desse processo, segundo o pesquisador, depende de duas frentes principais: a implementação de políticas públicas eficazes para barrar o desmatamento e a restauração de áreas degradadas, além da criação de corredores verdes que conectem os fragmentos isolados.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br