China desenvolve ferramentas próprias de edição genética com apoio da inteligência artificial

China desenvolve ferramentas próprias de edição genética com apoio da inteligência artificial

Em um laboratório em Changzhou, na China, pesquisadores da startup de agrotecnologia Wimi Biotechnology Co. Ltd. estão inovando na edição genética de plantas. Utilizando uma técnica que envolve o corte de um único trecho de DNA do milho, eles esperam observar novas características, como maior produtividade e resistência hídrica.

A ferramenta utilizada para esse processo não é a famosa enzima CRISPR-Cas9, mas sim a CasY7, uma proteína desenvolvida pela própria equipe da Wimi Biotech. Essa escolha se deve a complicações legais associadas ao uso da Cas9, que está envolvida em uma longa disputa de patentes nos tribunais dos Estados Unidos.

A disputa, que se arrasta há mais de uma década, envolve patentes fundamentais da Cas9 pertencentes ao MIT e ao Broad Institute de Harvard. Uma decisão recente de um tribunal de apelações confirmou a reivindicação do Broad Institute, o que pode resultar em bilhões em receitas de licenciamento. Para as empresas que buscam comercializar culturas geneticamente modificadas, usar a Cas9 sem licença representa um risco significativo.

Além da Wimi Biotech, outras empresas chinesas, como Shandong Shunfeng Biotechnology e Beijing Qi Biodesign, também desenvolveram suas próprias enzimas de edição genética. A Shunfeng, por exemplo, criou variantes otimizadas das proteínas Cas12i e Cas12o, já licenciadas para empresas em diversos países, como Estados Unidos e Brasil.

A CasY7, especificamente, é uma variante da Cas12i que passou por um processo de evolução assistida por inteligência artificial, permitindo que a equipe de Lu Yuming, da Universidade Jiao Tong de Xangai, alcançasse uma eficiência de edição de até 87,7% em milho. Essa inovação é vista como uma oportunidade para superar as limitações impostas pelas patentes existentes.

O mais recente plano quinquenal da China para a agricultura, divulgado em junho de 2026, destaca a necessidade de “novas ferramentas de edição genética”, sinalizando uma intenção clara de desenvolver capacidades internas. Essa estratégia visa não apenas melhorar as culturas, mas também estabelecer a China como um player importante na biotecnologia global.

Fonte: poder360.com.br

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