A inesperada aliança de Callegari com Ricardo Ferraço nas eleições do Espírito Santo

A inesperada aliança de Callegari com Ricardo Ferraço nas eleições do Espírito Santo

O terceiro dia da série de entrevistas do Folha Vitória com os candidatos ao Senado foi reservado para o deputado estadual Wellington Callegari, que disputa a vaga majoritária pelo pequeno partido Democracia Cristã (DC). A legenda não lançou candidato próprio ao governo do Espírito Santo e nem fez coligação com nenhum outro candidato. Na ocasião da convenção partidária, o DC declarou que ficaria “independente” com relação à disputa pelo Palácio Anchieta.

Entretanto, essa independência não significa que seu principal candidato permanecerá neutro. Durante a sabatina realizada na manhã de ontem (28), Callegari surpreendeu ao declarar que apoiará o governador e candidato à reeleição Ricardo Ferraço (MDB).

Meu partido não dará apoio explícito a nenhum dos candidatos que aí estão, fez uma coligação independente, porém, eu vou falar o meu voto e a tendência é que eu vote no governador Ricardo Ferraço. Apesar de eu ter sido oposição ao governador passado, Renato Casagrande, entendo que o atual governador Ricardo Ferraço corresponde melhor às expectativas que eu e a população capixaba temos.

Callegari (DC), candidato ao Senado

Ao ser questionado sobre quais seriam essas expectativas, Callegari respondeu sem hesitar: “É a expectativa de um governo que traga as coisas boas do governo Casagrande, como investimentos e a manutenção da saúde financeira e fiscal, mas, ao mesmo tempo, sem a ideologia do governo Casagrande – que me fez ser oposição a ele –, especialmente na área da educação.”

O deputado também citou a mudança que Ricardo Ferraço realizou na política de prevenção e mediação dos conflitos de terra, transferindo a coordenação da Secretaria de Direitos Humanos para a pasta de Segurança Pública: “Era um pleito antigo nosso.” Callegari afirmou que enxerga nas ações de Ricardo uma “ruptura”, mesmo que o discurso e a estratégia eleitoral do governador sejam pautados na ideia de continuidade da gestão Casagrande.

Ultraconservador e opositor ferrenho

Callegari, de 44 anos, está em seu primeiro mandato de deputado estadual, eleito em 2022 pelo PL com 16.842 votos. Com reduto eleitoral em Cachoeiro, é um católico ultraconservador, com posições firmes na extrema-direita, evidenciadas durante a entrevista, onde defendeu o fim do aborto em qualquer situação e questionou leis de proteção às mulheres. Ele também é bolsonarista e, apesar de seu partido ter candidata à Presidência da República, votará em Flávio Bolsonaro (PL).

Com esse perfil, Callegari chegou à Assembleia Legislativa e, logo no início de seu mandato, se posicionou como oposição ao governo de Renato Casagrande (PSB), do qual Ricardo Ferraço era vice-governador. Bom orador, ele sempre fez críticas ao Palácio Anchieta, mas o tom mudou com a nova gestão.

Elogios públicos a Ferraço

No início do mês passado, ao visitar um evento armamentista em Vila Velha, Ricardo foi elogiado por Callegari. Na ocasião, o governador fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e Callegari reagiu positivamente, afirmando que Ricardo demonstrou ser um defensor da pauta conservadora.

Relação com o Palácio

A boa relação entre Callegari e Ferraço não se limitou a elogios. Nos bastidores, o Palácio Anchieta teria ajudado na candidatura de Callegari, que trocou o PL pelo DC para disputar o Senado, uma vez que já tinha sido definido que a vaga majoritária seria de outra pessoa. Durante as convenções partidárias, o DC conseguiu fechar uma coligação que lhe rendeu um respiro para a campanha.

“Mais à direita que Pazolini”

Após a entrevista ao vivo, Callegari foi questionado sobre sua decisão de apoiar Ferraço. O deputado afirmou que Ricardo “é diferente” e que seria “mais de direita” que o ex-prefeito Lorenzo Pazolini, que declarou apoio a Flávio Bolsonaro. Callegari destacou as credenciais ideológicas de Ferraço, afirmando que ele possui uma história de direita que nenhum outro candidato ao governo possui.

Callegari também ressaltou que Ricardo assumiu compromissos com o campo conservador, sem detalhar quais. “Ele assumiu compromisso com a pauta armamentista, com a pauta pró-vida, o que eu não vejo do lado de lá. Então, por isso, vou votar nele.”

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Fonte: folhavitoria.com.br

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