O último dia das convenções partidárias foi marcado por um momento apoteótico para o deputado estadual Sergio Meneguelli (PSD). Quatro anos após ter sido rifado às vésperas de homologar sua candidatura ao Senado, o ex-prefeito de Colatina finalmente vai concorrer.
Durante a convenção realizada no dia 5 de outubro, o PSD decidiu apoiar a candidatura de Meneguelli à Câmara Alta. No entanto, essa decisão vem com um custo: o partido optou por não coligar com nenhum candidato a governador, declarando neutralidade e indo sozinho para as urnas, com Meneguelli e as chapas de deputados.
A legenda, que era cobiçada pelo Republicanos, teve uma proposta de aliança que incluía a primeira-dama de Colatina, Lívia Vasconcelos (PSD), como vice. Contudo, o presidente do PSD capixaba, Renzo Vasconcelos, não encontrou espaço para essa coligação.
O candidato ao governo, Lorenzo Pazolini (Republicanos), havia manifestado interesse em dialogar até o último minuto para fechar a aliança, mas Renzo não aceitou a proposta, que também não contemplava o apoio do MDB.
As duas vagas de Senado do lado de Pazolini foram preenchidas por Maguinha Malta (PL) e pelo deputado Evair de Melo (Republicanos), enquanto o governador Ricardo Ferraço (MDB) confirmou Renato Casagrande (PSB) e Rose de Freitas (MDB) como candidatos ao Senado.
Renzo Vasconcelos afirmou que nunca esteve em jogo abrir mão da candidatura ao Senado, e que o convite para a vice na chapa de Pazolini era atraente, mas o compromisso com Meneguelli prevaleceu, respaldado pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab.
Quando a neutralidade do partido e a candidatura de Meneguelli foram anunciadas, houve comemoração entre os filiados, e o deputado, emocionado, expressou sua gratidão a Renzo.
Discurso inflamado e acertos de contas
Em seu discurso, Meneguelli desabafou sobre os últimos quatro anos, não poupando críticas a mandatários. Ele mirou sua artilharia principalmente contra o presidente do Republicanos, Erick Musso, e o senador Magno Malta, a quem chamou de “Maligno” Malta.
“Há quatro anos me enganaram, me humilharam, me venderam, me trocaram por fundo partidário”, desabafou Meneguelli, referindo-se ao episódio em que foi impedido de disputar o Senado.
Ele expressou sua decepção com os políticos que, segundo ele, usaram sua fé e o nome de Deus para manipulações. “Eu já sabia, desde ontem, que eu seria candidato. Mas eu queria desmascarar os que duvidaram de mim”, afirmou.
“Eu posso perder. Mas se eu perder democraticamente, não será a canalhice que Erick Musso fez comigo. Ele me prendeu, não queria deixar eu sair do partido”, disse Meneguelli.
O deputado também elogiou Renzo Vasconcelos, destacando que ele foi pressionado a retirar sua candidatura, mas manteve sua palavra.
Decisão estratégica e compromissos futuros
Renzo explicou que a decisão de lançar Meneguelli foi tomada em um encontro com Gilberto Kassab, onde ele reafirmou seu compromisso de que Meneguelli seria candidato enquanto fosse presidente do partido. A decisão de não coligar foi tomada após as definições do MDB e do Republicanos.
Sobre a proposta de vice no Republicanos, Renzo afirmou que a oferta não contemplava a vaga de Senado, que já havia sido negada antes da confirmação de Evair.
Possibilidade de candidatura de Lívia Vasconcelos
A primeira-dama de Colatina, Lívia Vasconcelos, não foi mencionada como candidata durante a convenção, mas isso não descarta sua participação. Renzo tem até o dia 15 para registrar sua candidatura, e Lívia expressou interesse em concorrer à Câmara Federal, ponderando questões familiares.
Compromisso e promessas para 2028
O compromisso do PSD com Meneguelli também representa uma dívida, já que o deputado apoiou Renzo em sua eleição em 2024. Em 2028, Renzo deve buscar a reeleição, contando com o apoio de Meneguelli, que já declarou seu apoio ao prefeito.
Apoio informal a Pazolini?
Durante a convenção, Meneguelli elogiou Pazolini e sinalizou que pode apoiar informalmente o candidato ao governo, caso o PSD decida apoiar.
Fonte: folhavitoria.com.br